Meias verdades ambientais

Opinião
Guaíra, 14 de julho de 2017 - 09h43

É muito triste constatar que se manipulam dados para perseverar na mentira de que o Brasil é um país que preserva a sua natureza. Se é verdade que o setor agrícola cresce em eficiência e aumenta a produtividade, não é menos sério verificar se a proteção ao ambiente segue crescente na mesma proporção.

Anuncia-se que 66% do território nacional estão intocáveis, resguardada a cobertura vegetal exatamente conforme era no ano 1500, quando os portugueses aqui chegaram definitivamente.

A visão extremamente otimista e, por isso mesmo, utópica, é que isso atingiria 75% do Brasil, se na conta forem incluídas as pastagens naturais do Pantanal, da caatinga e do cerrado.

Não é verdade que os proprietários rurais preservam mais vegetação natural do que as unidades de conservação. As UCs – Unidades de Conservação e as Terras Indígenas – TIs, constituem a tentativa do ambientalismo brasileiro impedir que haja a destruição total do verde.

Isso porque o IBGE já constatara em 2012 que 38% do país se encontravam totalmente devastados. Não consta que em cinco anos tenha havido uma regeneração integral. Ao contrário, o que se verifica é a inclemência com que se derrubam as matas, substituindo-as por cana-de-açúcar, soja ou pasto.

Ainda bem que cientistas do GeoLab da USP e do Observatório do Código Florestal desmentem as afirmativas que não encontram respaldo na realidade e reconheçam que essa “estatística criativa” tem um objetivo: impedir a criação de novas Unidades de Conservação e Terras Indígenas, para que a devastação continue.

Todos os dias a mídia está a noticiar infaustos acontecimentos na área ecológica, seja quando descobre garimpos ilegais, grileiros atacando posseiros, esvaziamento do IBAMA, insuficiência de efetiva defesa do ambiente, produção exagerada de resíduos sólidos, a evidenciar a falta de civismo e de educação de berço de boa parte da população.

O lema “pensar globalmente, agir localmente” é a única esperança para quem defende o ambiente. Por isso é fiscalizar, cobrar, denunciar. Acompanhar o trabalho de entidades sérias como a SOS Mata Atlântica e o Atlas da Agropecuário Brasileira, localizável em www.imaflora.org/atlasagropecuario e desenvolvido pela ONG Imaflora, em parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz.

É preciso conscientizar as crianças de que as gerações anteriores foram muito negligentes, lenientes ou até se acumpliciaram com quem conseguiu, para lucrar mais, acabar com a exuberância do patrimônio natural brasileiro.

Se para os idosos esta seja uma peleja perdida, para as crianças e jovens talvez reste uma esperança. É o que nos resta aspirar.


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José Renato Nalini

José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário e Presidente da Academia Paulista de Letras – 2019/2020

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