O elo perdido no trabalho

Opinião
Guaíra, 15 de outubro de 2021 - 09h56

Infelizmente, muitos foram, e outros tantos ainda são, educados para o trabalho dentro de um viés punitivo, penoso, como castigo. E a coisa é tão séria, que o modelo escravocrata nos persegue até hoje. 

Na escravidão propriamente dita, o senhor pagava a alguém para ter direito a vida de outrem. Nos tempos mais atuais, paga-se mensalmente para a própria pessoa para que ela tenha como subsistir.

Desde pequenos, somos apresentados ao antigo testamento, à história de Adão e Eva. Por causa do “pecado” dos dois, Deus os expulsa do paraíso e diz que, por conta do que fizeram, deveriam ganhar o seu sustento por meio do trabalho. 

É claro que passa uma ideia de que trabalhar é ruim, é obrigação, é um fardo. A palavra trabalho, por exemplo, vem de um instrumento de tortura chamado tripalium (três hastes de madeira entrelaçadas ao meio, no quais se prendiam as pessoas para castigá-las). Porém, há outra mensagem nessa história. Deus, ao criar o mundo, ao fim de cada fase, vê, acha, sente, que é bom. Portanto, há um trabalho dele (na criação) e há satisfação ao fim de cada dia, ou de cada ciclo (produto, na linguagem moderna).

Então veja, os textos bíblicos, em suas linguagens figuradas, nos trazem duas vertentes: o trabalho como realização e como castigo. O grande problema é acreditar que só a segunda está correta. Até pode estar, não sei, mas há coisas que não se pode esperar quando se tem esse tipo de postura, de comportamento. Como pedir engajamento e motivação ao castigado? 

O que ocorre é que há um elo perdido no trabalho. E ele se fecha no propósito organizacional (sério, não aquele feito apenas para virar quadro na parede). Toda empresa tem uma razão social (o porquê de ela existir para a sociedade). A sua missão é extraída daí. Deve existir uma visão de futuro (qual ponto quer chegar, como quer ser reconhecida?). E tudo isso dentro de valores estabelecidos e descritos.

Assim, a primeira coisa que um bom sistema de recrutamento e seleção deve ter é a identificação da correlação entre o propósito de vida da pessoa e da empresa (dá para contar nos dedos as empresas que têm). Elas estão pela mesma causa? A visão pode ser compartilhada entre as duas partes? Comungam dos mesmos valores? Depois disso, vem todo o resto. É mais fácil treinar habilidades do que alinhar objetivos. 

O engajamento e a motivação, embora possam ser ativados em momentos específicos por diversas situações, ferramentas e até por dinheiro, em essência, hora a hora, dia a dia, estão na causa.

Do contrário, é como tentarmos instalar o Office para Mac no Windows. Não vai dar certo, mesmo ele sendo da Microsoft.

Pense nisso, se quiser, é claro!

 

Prof. Ms. Coltri Junior é estrategista organizacional e de carreira, palestrante, adm. de empresas, especialista em gestão de pessoas e EaD, mestre em educação, professor, escritor e CEO da Nova Hévila Treinamentos. www.coltri.com.br; Insta: @coltrijunior 

 


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