A Inglaterra enfrentou há algumas décadas problemas graves em suas escolas. Elas eram depredadas, vandalizadas e desrespeitadas pelos alunos e por quem não era aluno. Inexistia o sentido do “pertencimento”, ou seja: a escola pública não é do governo. É do povo. Construída com dinheiro do povo, funciona com dinheiro do povo e se tiver de ser reformada continuamente, não em virtude de desgaste natural, mas em virtude de maus tratos causados por quem deveria protegê-la, representa evidente paradoxo.
Ou seja: destrói-se um patrimônio próprio, que é de todos, inclusive de quem o extermina. É uma espécie de suicídio patrimonial só explicável à luz da patologia social.
Foi quando a inteligência britânica resolveu promover cursos de conscientização e liderança de diretores dos estabelecimentos de ensino. O sucesso foi imediato. Uma liderança bem formada é a receita para solucionar problemas irracionais como esse do vandalismo contra o patrimônio coletivo.
Não é diferente em outros Países. Investe-se muito em treinamento de liderança dos gestores de escolas. Costuma-se dizer que o diretor ou diretora é a alma da escola. O aspecto físico, a estrutura, o clima, tudo reflete a direção. É por isso que, sujeitas às mesmas vicissitudes de uma crise gravíssima, que impede a satisfação de todas as demandas, escolas há que ostentam um quadro extremamente distinto entre si. Uma, é o retrato do abandono, do desmazelo e do desalento. Outra é um exemplo de eficiência e de harmonia.
O segredo é o gestor. Um diretor/diretora que investe na sua equipe, mantém-na animada, conhece os alunos, procura seus pais. Ouve, dialoga, exerce autoridade com mansidão, após exercer o talento da persuasão.
Esse gestor racional e afinado com as necessidades de uma sociedade cada vez mais complexa e heterogênea é o que o Estado de São Paulo está a procurar com o seu pioneiro concurso para provimento de 1878 vagas de diretor de Escolas Estaduais.
Pela primeira vez haverá seleção baseada em capacidade de gerir, em habilidades que não dependem de memorização, mas de boa vontade, sensibilidade, comprometimento com a causa pública e capacidade de se adaptar a condições adversas.
Haverá depois um acompanhamento dos diretores aprovados, uma espécie de aquisição de vitaliciedade, baseada no desempenho e no mérito, para a efetivação no cargo. É de gestores entusiastas e conscientes de que a educação é, efetivamente, a chave para a resolução de todos os problemas brasileiros que São Paulo está a necessitar.
Esperamos que acolham a esse convite para concorrer a um cargo de relevância extrema, todas as pessoas de boa vontade, de boa fé e de verdadeira intenção de converter a educação paulista num paradigma não só para o Brasil, mas para o mundo inteiro.
As inscrições vão até o dia 17 de julho. Inscrevam-se pelo site Instituto Nosso Rumo, responsável pela organização do concurso, www.nossorumo.org.br.