O Sentido da Vida e do Sofrimento Humano
Vivemos em uma época, em que cresce cada vez mais entre as pessoas o
fenômeno do vazio existencial. Esse mal vem crescendo no mundo inteiro. Deparamo-nos
com pessoas que não possuem mais um sentido pelo qual viver. Diante das
dificuldades e sofrimentos, se desesperam e não encontram mais motivos para continuar
a viver, lutar, acreditar, esperar. A vida se apresenta sem esperança, nada mais tem
importância.
Mas será que realmente a vida não possui mais sentido? Será que não vale mais
a pena viver? O psicólogo, Viktor Emil Frankl, fundador de uma linha psicoterapêutica
própria, denominada Logoterapia, centrada no sentido da existência do indivíduo e de
sua dimensão espiritual, vem nos afirmar que independentemente das circunstâncias e
situações que vivemos, a vida possui um sentido. Mesmo diante do sofrimento, é
possível encontrar um sentido para viver.
Em nossa vida devemos nos perguntar sempre pelo sentido da vida. Não só
devemos questionar sobre o sentido da vida, como procurar encontrá-lo, escondido em
cada situação. Constatamos que atualmente, as pessoas não querem mais sofrer, quando
se deparam com situações de sofrimento, parece que tudo está acabado. A morte de um
ente querido, o diagnóstico de um câncer, a falta de emprego etc. Todos esses fatos
levam muitos a desanimarem e a não acreditar que há uma razão pela qual viver e
superar as situações de sofrimento, e ir além de tudo isso.
Viktor Frankl, afirma que enquanto o indivíduo não for capaz de descobrir
nenhum sentido em seu sofrimento, ele estará propenso ao desespero e, em certas
condições, até ao suicídio. Mesmo as situações de sofrimento, possuem um sentido, por
isso Frankl nos diz que se o indivíduo busca dar uma resposta ao sofrimento, tendo
claro aonde quer chegar e o que deve fazer, conseguirá transformar a sua tragédia em
um triunfo pessoal. Diante dos sofrimentos, devemos tomar a seguinte atitude: “se não
podermos mudar a situação de sofrimento, ainda resta-nos a liberdade de mudar nossa
atitude frente a essa situação”.
O psicólogo austríaco possui uma grande propriedade em relação ao sentido do
sofrimento, pois este, viveu por um tempo preso nos campos de concentração. E em
relação a sua experiência no campo de concentração, nos relata que: “os prisioneiros
com mais chance de sobreviver à vida no campo, eram aqueles que pensavam no futuro,
que queriam ser livres novamente, e, mais importante ainda, que viviam em função de
um sentido a ser realizado, de um trabalho a ser concluído”. Em nossa vida também nós
devemos viver em função de um sentido a ser realizado, um motivo pelo qual viver,
estarmos sempre endereçado a uma tarefa a realizar e um outro a amar. No âmbito
religioso, esta tarefa pode ser servir a Deus e, o outro a amar, pode ser a Jesus.
A logoterapia nos fala sobre a “tríade da tragédia-humana”: a dor, a morte e a
culpa. Nesta vida, ninguém está livre do sofrimento como a doença e a dor. Ninguém
pode escapar definitivamente da morte. Não há quem nunca tenha sentido culpa. É
impossível. Mas, de acordo com Frankl, sempre é possível transformar o sofrimento e a
tragédia num triunfo pessoal, numa realização genuinamente humana. Em relação à
morte, ele nos diz que ela pode nos servir como um estímulo para vivermos de modo
responsável, porque, se fôssemos imortais, poderíamos adiar todas as coisas, não
haveria urgência, não seria preciso agir agora mesmo.
Na tarefa da vida, nos interpela Frankl, dizendo: “Se eu não fizer, quem o fará?”
– “Se não agora, quando?”. Sendo assim, nos empenhemos na tarefa da nossa vida e
busquemos viver esta vida que Deus nos deu de presente com toda intensidade.
Busquemos sempre encontrar o sentido da vida e do sofrimento.
Frater Marcos Vinícius Aleixo Carreira, scj
Religioso da Congregação dos Padres Dehonianos
Está cursando o 3º ano de teologia e será Padre em
dezembro de 2023 na cidade de Guaíra/SP