Oxalá – O Pai de todos

Opinião
Guaíra, 5 de janeiro de 2016 - 15h03

Oxalá é o Trono Maior da Fé! Sua vibração é direcionada o tempo todo para despertar e ou motivar a Fé na humanidade. Orixá primordial é o Pai de Todos os outros e criador do ser humano. Por isso mesmo, sincretizado com Nosso Senhor Jesus Cristo e seu dia comemorativo é 25 de dezembro. Tamanha é a responsabilidade ao escrever sobre Oxalá, que jamais poderia se quer almejar que estas linhas estejam à Sua altura. Porém, encaro esta tarefa, pois muito se ignora e enorme é o preconceito existente, devido a sua origem africana, sobre O Pai de todos os Orixás. Por isto, peço licença: ao redigir este artigo no sentido de tentar esclarecer um pouco sobre a “Energia” chamada Oxalá; e perdão: por não ter condições intelectuais suficientes para reproduzir algo mais próximo da grande potência universal que é Este Orixá. Segundo a mitologia, Oxalá foi responsável, junto com seu Pai, Zambi – O Supremo Criador – pela criação da humanidade, por meio do chamado “sopro da vida”. Fazendo um paralelo com outras religiões cristãs, temos a Santíssima Trindade sincretizada no panteão africano da seguinte forma: Deus é Zambi (o Pai), Oxalá é Cristo (o filho) e Obatalá o Espírito Santo. Interessante notar que, seja no continente africano há milhares de anos, ou na Umbanda desde a sua fundação em 1908 no Brasil, a representação simbólica de Oxalá é uma pomba branca com asas abertas. Coincidência? A pomba também está presente no alto do Paxorô, o cajado de metal de Oxalá; utilizado na mão direita quando Se manifesta nos terreiros, este instrumento sagrado representa o elo entro o Ayê (Terra) e o Orum (Céu). Seu principal atributo é não deixar um só ser sem o amparo religioso dos mistérios da Fé. Aquilo que os líderes religiosos chamam de “vocação” ou mesmo o despertar de sentimentos nobres que se transformam em atitudes concretas para o bem do próximo e da sociedade de modo geral, são, na verdade, a atuação de Oxalá. Porém se faz necessário que as pessoas estejam aptas (equilibradas) para absorver estas irradiações. Aqueles que estão ou vivem com a mente voltada para o materialismo desenfreado, a busca do mero prazer físico ou, ainda, envoltos no uso de drogas e bebidas alcoólicas, deixam passar despercebidas essas emanações sagradas do Grande Pai. E pior, por vezes, desdenham dos que conseguem assimilar essa Luz Divina. Foi Oxalá quem deu ao homem o livre-arbítrio, uma lei intransponível até pelos demais Orixás. Fortaleza, perseverança e paciência são qualidades regidas por Oxalá; é por meio Dele que se estabelece a ligação com a espiritualidade, o despertar da Fé, à compreensão do “religare” com o Cristo interno. Oxalá nos ensina que para cultuar a Deus não precisamos de nenhuma edificação de pedra, cimento ou madeira… Pois o maior templo sagrado está em nossos corações: “Ele está no meio de nós”! Dentro da Umbanda, e mesmo no Candomblé, é bastante raro encontrarmos um filho de santo cujo Ori (cabeça) seja regido diretamente por Oxalá, devido ao seu alto grau hierárquico e às características inerentes a este Orixá. São pessoas extremamente devotadas à causa religiosa, normalmente deixam lar, família e amigos pessoais em troca de atuar nas comunidades, projetos sociais ou agrupamentos religiosos como as paróquias ou os terreiros; são líderes naturais, possuem grande poder de convencimento sem usar a força, se impõem no meio em que vivem, mas sua capacidade de mando vem permeada de suavidade, educação e carinho. Podem ter certa fragilidade na aparência, um tanto delicados, mas esta fragilidade é compensada com uma enorme força moral, que os transformam em referência de honestidade, desapego e carisma. Altruístas de nascimento; defensores dos oprimidos e, em diversas situações, a salvação de muitos famintos, doentes ou debilitados física e espiritualmente. O elemento primordial de Oxalá é o ar – Senhor do Sopro Divino –, Seus metais são o ouro e a prata; Seu mineral é o cristal transparente; é representado pelo astro rei, o Sol. Há diversas ervas de Sua vibração, mas a mais comum e usada é conhecida como “tapete de Oxalá”, ou seja, o boldo; sua arvore sagrada é o Assa Peixe Branco, planta típica do cerrado brasileiro e muito comum em pastagens; seu dia da semana é a sexta-feira, sua cor é o branco. Quando jovem, é chamado de Oxaguiã (menino Jesus), quando velho é Oxalufã (Cristo Redentor), e devido a este sincretismo comemora-se o 25 de Dezemdro como dia de Oxalá. Na Bahia é Nosso Senhor do Bonfim, Sua saudação é “Epa Babá”! Que Oxalá ilumine e renove nossa Fé a cada Natal e Ano Novo! Que venha 2016! Axé!



Gustavo C. M. Souza

bacharel em história pela USP e dirigente do Centro Espírita de Umbanda Ogum Sete Espadas Para saber mais: Livro – Umbanda não é macumba, autor Alexandre Cumino, Ed. Madras; Blog – www.ceudeogumseteespadas.blogspot.com; www.facebook.com/jorge.guerreira

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