
Os anos 70 e 80 guardam lembranças inesquecíveis, simples e bonitas. Foi na minha passagem de menina a mulher… Eu “morava” na casa de minha tia Nádua e os gêmeos eram meus parceiros de brincadeiras. Já tarde, o Zezinho me mandava embora, mas o André falava para eu ficar mais um pouco. Daí a diferença entre os dois.
Assim, o tempo passava naquela morosidade de cidadezinha do interior. Como tínhamos a mesma idade, sempre estávamos juntos até a 8ª série. O Zezinho bombou, e o André e eu, fizemos a 8ª série juntos. Ele (André) era tão inteligente que, nas provas de educação musical, o professor solfejava (fazia gestos com as mãos) e nós tínhamos que colocar as notas musicais.
O André fazia rapidamente a prova e mostrava para mim. Só assim (colando dele) conseguia ir bem. Aliás, não era só música, tudo o que ele podia fazer por mim, ele fazia. E não ficava contando vantagens. Era sempre discreto e bom, o coração cheio de amor. Aí nós nos separamos, eu fui para o colégio interno, porque não havia segundo grau em Guaíra, e ele foi para Barretos no colégio estadual. Era tão disciplinado e estudioso que chegou ao cursinho sem perder ano nenhum. Tal era seu esforço que ele passou na USP em Ribeirão Preto, apesar de todas as dificuldades que a família passava.
Não contente com essa posição quis entrar na UNICAMP, a melhor faculdade de medicina do Brasil. Nessa altura, eu estava estudando na PUCAMP, fazendo Letras a duras penas. Enquanto ele era simples, sem dinheiro algum, eu não ficava atrás. É claro que ele tinha os amigos de Jaboticabal(Cidade Do Tio Vicente) e eu (como filha única) sobrava um pouco para mim. O tempo foi passando e o André, para ter uma vida melhorzinha, se tornou um representante de remédios.
Foi da primeira turma de medicina. Foi emocionante a graduação dele, meus tios ficaram muito emocionados. Jovens, de 24 e 25 anos, formados na melhor Universidade do Brasil.
Não conheço todos, mas a maioria era de gente abastada, poucos como André vinham da classe C, e pensa que ele reclamava ? NÃO! Estava sempre de bom humor, querendo ajudar.
Até hoje, quando olho para ele, sinto aquele olhar sincero, bom, cativante, a me envolver. Ele é daqui da nossa Guairinha querida, cheia de imperfeições, mas cheia de carinho para dar e receber.

