SONHOS, POR QUE TE QUERO?

Opinião
Guaíra, 29 de julho de 2020 - 23h13

Nos tempos atuais, temos observado diversas mudanças, de forma muito veloz, nos modos de agir, de pensar e de ser das pessoas. Tais mudanças aceleradas têm sido uma característica da condição moderna e são motivadas por fatores como o fluxo intenso de informações provindas de diferentes fontes de comunicação e pela arrancada na produção científica, que nos surpreende com alcances inimaginados e o empoderamento de um número maior de pessoas para desempenhar um papel significativo na transformação social.

Isto tudo, combinado a tecnologias cada vez mais radicais, capital e conhecimento largamente expandidos, bem como instituições que valorizam intensamente a inovação, liberta forças produtivas e engendra potenciais de transformação diferentes de tudo o que tenha ocorrido anteriormente

Todavia, essa onda de transformações é, indubitavelmente, um fenômeno de mão dupla, pois se em uma via proporciona o avanço nos mais variados campos do conhecimento ( medicina, indústria, pesquisas espaciais, educação etc), por outra perpetua o distanciamento das pessoas, a ausência do diálogo entre amigos e na família e o irreversível mergulho dos seres humanos num paradoxo de mundo infinito e limitado, virtual, nos quais muitos valores são avessos aos valores essenciais que mantêm o equilíbrio das emoções, levando-os cada vez mais longe de si mesmos.

Vivemos, atualmente, num sistema  que esmaga seus líderes – os que geram riquezas e bens – valorizamos o mundo da moda, que dita um padrão de beleza que não respeita a singularidade e os valores essenciais de cada um e, com isso, geramos uma sociedade desequilibrada, revelada pelo número cada vez maior de pessoas com transtornos de  depressão e ansiedade no mundo. Esse quadro doentio parece ser fruto da ânsia em buscar o sucesso para aparentar poder aos olhos dos outros e, assim, apaga-se os importantes momentos que deveríamos viver em família e com amigos. Dessa forma, os relacionamentos se tornam cada vez mais superficiais e não se cultiva o amor e o respeito nas relações que são, por excelência, sagrados, como a de pais e filhos, marido e esposa e entre irmão as quais, cada vez mais, se embasam no bem-estar material, não se dando conta  daquilo que é essencial.

E por falar em essencial, o que é essencial para você?

Nesta perspectiva, traz-se à esteira das reflexões, a relevância de nos focarmos em sonhos, em especial nestes tempos em que somos distanciados socialmente, em consequência da pandemia do novo Coronavírus e do crescente número de conflitos pessoais e familiares. Segundo Augusto Cury, “sonhos são projetos de vida, sonhos sem projetos produzem pessoas frustradas, servas do sistema. Vivemos numa sociedade consumista, numa sociedade de desejos e não de projetos existenciais.” Muitas vezes, nos conflitos e inquietações que a vida nos impõe, nos focamos nas frustrações, remoemos nossas mazelas e alimentamos a angústia que ferve em nosso interior. A vida é efêmera e não podemos ficar presos na “gaiola de nossas emoções”, nem sermos escravos das circunstâncias, pois é preciso “um passo à frente”.

Como é dito no livro O vendedor de Sonhos: “não tenha medo do caminho, tenha medo de não caminhar.

Portanto, quero sonhar porque, “sem sonhos, os monstros que nos assediam, estejam eles alojados em nossa mente ou no terreno social, nos controlarão. O objetivo fundamental dos sonhos não é o sucesso, mas nos livrar do fantasma do comodismo” (Cury, O vendedor de sonhos, 2008).

Simone Cristina Succi, Professora Doutora em Inglês, formadora de professores junto a EFAPE/SEE-SP.

Conceição AP. F. B. Nicolino

Conceição AP. F. B. Nicolino – Pós graduada em Gestão Escolar e Gestão Educacional, Diretora aposentada pela SEE/SP.

 

 


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Simone Cristina Succi
Profª Drª em Linguística Aplicada – PUC/SP
Formadora de Professores – Sec. da Educação do Estado de São Paulo

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