Temos muito o que comemorar. Mas também refletir e lutar

Opinião
Guaíra, 8 de março de 2016 - 09h20

O dia 08/03 é o Dia Internacional da Mulher, um dia de comemoração, mas também de muita reflexão. Por todos os lugares do mundo serão debatidos temas relativos ao papel da mulher na sociedade. Porém, também deverão ser debatidos temas relativos à violência contra a mulher. No Brasil, podemos falar que houve avanços nas conquistas dos direitos das mulheres na busca da igualdade de gênero. Mas, mesmo com avanços, ainda há muita discriminação aos direitos da mulher em diversas áreas da sociedade. Observamos diariamente mulheres sendo agredidas, humilhadas, com patrimônio dilapidado, mortas, simplesmente porque são mulheres. No âmbito profissional, a discriminação à mulher ainda é muito grande. Os papéis masculinos são supervalorizados em detrimento dos femininos. Visando diminuir essa discriminação gritante existente em nosso País, o legislador enxergou que algo deveria ser feito para coibir tamanha escalada de violência e desigualdade. No ano de 2006 foi sancionada a Lei Maria da Penha, uma lei que possui mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. No mês de agosto, a Lei Maria da Penha completará dez anos. Muitas vidas foram salvas por causa das garantias existentes na lei, mas ainda há muitas vidas perdidas que precisam ser preservadas. No ano de 2015, foi sancionada a lei que inclui o feminicídio como crime qualificado de homicídio e a pena é de 12 a 30 anos, além de ter sido incluído no rol dos crimes hediondos.   HOUVE MUDANÇAS LEGISLATIVAS, PORÉM É NECESSÁRIO QUE A MULHER INOVE, BUSCANDO A PROTEÇÃO DAS LEIS Há uma extensa Rede de Proteção a Violência contra a Mulher, e também diversos estudos sobre esse tema. E, na maioria dos ensinamentos, o primordial é que a mulher saiba identificar se está sofrendo violência ou não. Porque a violência não é apenas a visível (lesões corporais), há violências invisíveis (que não deixam marcas). Muitas mulheres sofrem violência invisíveis e não sabem. Tenha motivos para comemorar, busque, conquiste, transforme a sua dor em força para mudar a história de sua vida   SABENDO INDENTIFICAR A VIOLÊNCIA A escritora norte americana Mary Susan Miller escreveu o livro “Feridas Invisíveis – Abuso Não-Físico contra as Mulheres”. O livro fala sobre a violência psicológica, aquela que não deixa marcas no corpo físico da mulher, mas deixa cicatrizes na alma. A autora narra que muitas mulheres sofrem desse tipo de violência e não sabem. Por isso, no livro a autora ajuda as mulheres a identificarem a violência não física. “O primeiro passo é pedir às mulheres que examinem a lista de perguntas, que identifica 19 comportamentos abusivos”. O seu parceiro:

  1. Bate, esmurra, esbofeteia, empurra ou morde você?
  2. Ameaça feri-la ou a seus filhos?
  3. Ameaça ferir amigos ou membros da família?
  4. Tem súbitos acessos de raiva ou fúria?
  5. Comporta-se de maneira superprotetora?
  6.  Fica com ciúmes sem motivos?
  7. Não a deixa visitar a sua família ou os seus amigos?
  8. Não a deixa ir aonde quer, quando quer?
  9. Não deixa trabalhar ou estudar?
  10. Destrói sua propriedade pessoal ou objetos de valor sentimental?
  11. Não a deixa ter acesso aos bens da família, como contas bancárias, cartões de créditos ou o carro?
  12. Controla todas as finanças e, obriga-a a prestar contas daquilo que você gasta?
  13. Obriga-a a fazer sexo contra a sua vontade?
  14. Força-a a participar de atos sexuais que você não aprecia?
  15. Insulta-a ou chama-a por nomes pejorativos?
  16. Usa a intimidação ou a manipulação para controlá-la ou a seus filhos?
  17. Humilha-a diante dos filhos?
  18. Transforma incidentes insignificantes em grandes discussões?
  19. Maltrata ou ameaça maltratar animais de estimação?

No final da lista está escrito: “Se você respondeu sim a uma ou mais de uma pergunta acima……pode estar sendo vítima de abuso”. A autora disse que mostrou a lista para muitas mulheres que solicitam proteção contra homens que as agridem fisicamente. Ao lerem a lista, elas ficam estarrecidas, concordando. As mulheres dizem que os companheiros têm feito todas essas coisas durante anos, mas elas nunca souberam que era violência, até que fossem espancadas por eles. Mulher, é preciso saber identificar se você está sofrendo violência. Não espere ser agredida fisicamente ou assassinada. Na Lei Maria da Penha há a previsão de outras violências (psicológica, moral, patrimonial, sexual). Como demonstrada pela escritora Mary Susan Miller, existe a violência invisível, que não deixa marca no corpo. Se você acha que está sendo ameaçada, humilhada psicologicamente ou moralmente, procure ajuda. Fale os seus problemas à equipe psicossocial para que eles identifiquem se você é vítima da violência que deixam feridas invisíveis. Na semana que se comemora o dia Internacional da Mulher, busque a sua superação, mostre para si mesma que você é dona e autora de sua vida. Tenha motivos para comemorar, busque, conquiste, transforme a sua dor em força para mudar a história de sua vida. Escreva uma nova história com um final feliz.   EM QUAIS ÓRGÃOS BUSCAR AJUDA: » Central de Atendimento à Mulher do Governo Federal – 180 » Polícia – 190 (se a violência estiver ocorrendo)


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Gleide Ângelo

Delegada especial, lotada na Delegacia de Olinda. [email protected]

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