Todo mundo quer ir pro cel

Opinião
Guaíra, 16 de outubro de 2016 - 09h10

É isso mesmo que o leitor leu no título. Não está escrito errado, não. É o que se observa nas ruas, em casa, no serviço, nos passeios, viagens e até na escola. Todo mundo com o cel na mão. Aliás, na escola é um problemão para os professores e diretores. Todas as crianças e adolescentes querem o tal cel. É tão sério que até nas igrejas – dizem – o oficiante tem que pedir para desligar o céu (!).

Outro dia, um professor que conhece as belezas de Guaíra – já de cabelos brancos – agora na capital paulista, ao sair de carro da instituição, à noite, foi abordado por um amigo do alheio: doutor, passe a carteira. Ele entregou. Agora passe o cel. O professor não discutiu e retirou do bolso o celular, daqueles com anteninha embutida. Ao entregá-lo, o meliante reclamou: esse não, doutor, é muito antigo! Recusou o cel e foi embora. Sorte do professor que ganha pouco mas tem o céu que ninguém mais quer… Essa história é real e o que vou relatar a seguir também é verídico.

Estava eu aqui a pensar no que escrever quando me passou às mãos um livrinho muito simpático, com uma capa inteligente, com o título que decidi adotar nesta matéria. Claro, fiz isso com a devida autorização imediatamente solicitada através de meu cel.

Doutro lado do céu, ao dar autorização, o cartunista Valter Luis – o Limonada – autor do ilustrado livro citado que mora em São Bernardo do Campo-SP, ficou muito feliz. Exultante, me disse: “olha, mano, tu nem vais acreditar, mas tu caíste do céu”. Logo pensei: será que ele me disse isso só porque estou falando daqui, do outro lado do cel? Mas, respondi-lhe, “Mano, não caí, não, só ri muito dos seus geniais desenhos do cel. Este livro*, sim, é que me caiu do céu”. Que confusão…

Resumindo, caro leitor – que nessa altura já deve estar com a paciência no céu – como não houve tempo hábil de consultar pelo celular nenhum especialista na língua pátria, recorro-me às lições de minha mãe que sempre frisava que em Alemão não havia essa confusão de se pronunciar o L como U. No idioma do poeta Schiller, dizia ela lá em casa, em Leme-SP, dinheiro escreve-se Geld (pronuncia-se GueLt, não GueUt). O pai confirmava e estava entendido. Quando havia Geld, nós crianças achávamos que estávamos no céu – mesmo sem cel.

Hoje, esse assunto caiu do céu…

* “Todo mundo quer ir pro cel.” – Valter Luis Lopes de Barros, Edicon Ed., 40 pág., 2016.

 


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Francisco Habermann

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