
Os dados mostram que a maior parte dos atendimentos envolveu adultos (40 registros), mas crianças e adolescentes também estiveram no centro das ações, com 8 ocorrências diretas. A predominância de atendimentos ao público feminino, 35 registros, reforça um padrão recorrente de sobrecarga e exposição das mulheres em contextos familiares sensíveis.
Ao longo do mês, o Conselho aplicou 24 termos de advertência, sendo 18 direcionados a pais ou responsáveis e 6 aos adolescentes, demonstrando que, muitas vezes, o caminho da proteção passa pela responsabilização e pela orientação firme. Além disso, 5 visitas domiciliares foram realizadas para verificar de perto situações que não podem ser avaliadas apenas no papel.
Outro dado que chama atenção é o registro de 4 denúncias formais, que desencadearam apurações técnicas e acompanhamento contínuo. Entre os problemas familiares identificados, surgem situações recorrentes como orientações de guarda (11 casos), problemas de comportamento, abandono de incapaz, acolhimento em família extensa e negligência, revelando fragilidades que, se ignoradas, tendem a se agravar.
Casos de alta complexidade também estiveram presentes no levantamento de janeiro. O Conselho acompanhou registros de maus-tratos, estupro de vulnerável, tentativa de suicídio, automutilação e drogadição. Situações extremas que reforçam um ponto essencial: a atuação precoce pode ser decisiva entre o cuidado e a tragédia.
A atuação institucional também se refletiu nos 20 encaminhamentos realizados à rede de proteção, saúde e assistência social, além de 3 encaminhamentos ao Ministério Público. Houve ainda 6 atendimentos para regularização de certidão de nascimento, garantindo o acesso a direitos básicos muitas vezes negligenciados.
As ações preventivas somaram 21 orientações, 16 notificações emitidas e 4 atendimentos em regime de plantão, assegurando resposta rápida em momentos críticos. Na área educacional, 15 problemas escolares foram registrados, incluindo evasão, transferências, falta de vagas e questões de comportamento, sinais claros de que a escola segue sendo um termômetro social importante.
O balanço de janeiro deixa um recado claro: o Conselho Tutelar não atua apenas quando o problema explode, mas justamente para impedir que ele chegue a esse ponto. Os números não servem apenas para registro — eles funcionam como um alerta coletivo sobre a responsabilidade de toda a sociedade na proteção de crianças e adolescentes em Guaíra.

