NOVENTA ANOS: nove décadas conseguidas por ele e continuadas por seus descendentes!
OBRIGADO VICENTE – Guaíra lhe será sempre grata porque você fez parte desta história. Nosso jornal é um arquivo vivo desta caminhada.
Escrevo hoje, emocionado por falar desse homem que com muita luta e garra escreveu seu nome com letras de ouro na vida da sua Guaíra, que ele tanto amou.
Incentivador da Cultura, dos Esportes, vereador, organizador dos torneios esportivos, propagava pelo seu programa na Rádio local os eventos esportivos na antiga Maracá e no campo José Zuquim Nogueira e era, ao mesmo tempo – mesário – e com a sua simples presença marcava a ordem e a disciplina.
Honra a ti, Vicente, Bichão, como era chamado por esta plêiade de jovens, seus pupilos e admiradores que o rodeavam onde quer que estivesse.
Hoje, aqueles garotos de outrora, já velhos lhe prestam esta homenagem motivados por este sentimento de gratidão: Obrigado, Bichão!
Seu jornal era esperado pelas famílias, todos os domingos e lido por todos da casa: os fatos, as informações acontecidas e os sociais. Quantas notícias você viu e registrou, quando Guaíra passou a município, em 18 de Maio de 1929, viu a Revolução de 30, com a tomada do poder por Getúlio Vargas, passou pela Revolução Paulista de 32, e registrou a Segunda Guerra Mundial, de 1939 a 1945, onde faltavam alimentos, incluindo aí o açúcar, que foi mandado pelo governo federal para nossa cidade, no entanto este açúcar foi ”guardado” em um local, uma chácara pertencente à prefeitura, onde hoje se encontra a empresa Predileta e por armazenar o açúcar, este local ficou conhecido como: Pão de Açúcar. Tudo isso foi registrado e publicado, nesta época, em papel de pão porque o papel de jornal estava também racionado.
Guaíra caminhava devagar esperando sua hora de deslanchar.
Chegaste junto, porque temos a certeza que está velando por nós, Bichão, aos 90 anos, com muita paciência e consideração porque sua integridade impunha respeito de modo que até seus críticos tinham receio da sua caneta.
Nomes como: Dr. Juvercino Dias Nogueira – o Du – Mario Marciano, Dr. João Bento, eram os amigos assíduos; o Mococa, Dr. Edson Bernardes, Clóvis de Almeida, Dr. Crésio de Souza Vieira, Manoel Araújo, estes, trabalhavam com seu filho, o Zezinho Lacativa, eram então os tipógrafos, ou gráficos da época. Todos jovens que você tratava com incentivo por isso mesmo, muitos deles se tornaram doutores.
Seu filho André, foi fazer medicina em Campinas e posteriormente foi fazer residência no Rio de Janeiro e recentemente promoveu um mutirão e trouxe os seus amigos, médicos, e em pouco espaço de tempo minimizou a dor dos guairenses que sofriam com dores e lesões nas pernas.
Deixaste um grande legado: exemplo de retidão de caráter, de trabalho dedicado, mas também deixastes, com sua esposa, Dona Nádoa Salomão, seus filhos: Zezinho, Dr. André, Kátia, Maria José e Izildinha, pessoas que participam da vida guairense com muita intensidade, trabalho, garbo e perseverança, deram continuidade ao jornal e hoje, imprimem, também, a Revista Agro S/A, conhecida regionalmente.
Tudo isso, ou seja, as sementes por ti deixadas, germinaram e deram frutos, porque como reza a bíblia Sagrada: a árvore boa, sempre produz bons frutos!
Nossa gratidão ao jovem que veio de Jaboticabal para jogar bola na guairense e se apaixonou pela ”turquinha” Nádoa e pela terra vermelha que impregna a nossa alma, esta terra de sol e de luz!