Comerciantes são barrados e impedidos de trabalhar na Festa do Peão de Guaíra

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Guaíra, 28 de junho de 2016 - 08h00

Empresa de São Paulo atua há 14 anos pelo Brasil e declarou que essa é a primeira vez que passa por estes problemas, que lhe resultaram em um prejuízo de mais de R$ 25 mil. Prefeitura não quis entregar o indeferimento por escrito

: Tendas ficaram montadas durante todos os dias da festa, mas não puderam ser utilizadas pela feirinha do Brás.

Tendas ficaram montadas durante todos os dias da festa, mas não puderam ser utilizadas pela feirinha do Brás.

 

Proprietário da empresa declarou que os 30 comerciantes ficaram decepcionados com a maneira que foram tratados em Guaíra.

Proprietário da empresa declarou que os 30 comerciantes ficaram decepcionados com a maneira que foram tratados em Guaíra.

 

Barracas de roupas e calçados de outras cidades puderam vender seus produtos dentro da festa.

Barracas de roupas e calçados de outras cidades puderam vender seus produtos dentro da festa.

 

Durante toda sexta-feira, guairenses procuravam a feirinha do Brás para comprarem produtos.

Durante toda sexta-feira, guairenses procuravam a feirinha do Brás para comprarem produtos.

A Festa do Peão de Guaíra deste ano poderia ter recebido mais convidados se a comissão organizadora do evento, juntamente com a prefeitura e a ACIG, não tivesse barrado 34 feirantes do Brás e seus dois caminhões de vestuários, que estavam na cidade através de uma empresa de São Paulo para venderem seus produtos durante os dias do rodeio.

De acordo com os proprietários, eles já haviam acertado o local com o presidente da festa, que inclusive demarcou o espaço para que pudessem colocar a tenda alugada. “Quando combinamos na quarta-feira (22), por telefone, falamos com o Devanir e ele disse que não havia problema nenhum. Ligamos para a prefeitura e pediram pra virmos pessoalmente. No início tínhamos a intenção de alocar um espaço particular, mas nos disseram que o alvará demoraria 15 dias e nos orientaram a procurar a comissão da festa. Nos encontramos com o Pardal [presidente do evento] e com o Dimas [responsável pela praça de alimentação], que nos ofereceram por R$ 5 mil [aluguel] para trabalharmos dentro da festa. Eles demarcaram o espaço (o Pardal), montei divulgação, montamos as tendas e quando chegou na quinta (23) à noite nos disseram que era pra procurarmos a prefeitura porque estavam bloqueando a feira. Fui cedo na prefeitura na sexta (24), às 8h e estava fechado. Voltei às 10h e fui falar com o Carlos da Tributação. Perguntei se tinha denúncia ou algo que impedisse a feira e ele me falou que a ACIG estava tendo problema”, contou Eliomar de Oliveira Bosser.

Após terem alugado a estrutura e divulgado pela região de que estariam no evento, os proprietários disseram que resolveram procurar uma advogada, pois sentiram-se lesados. “O pessoal da ACIG manda mais que a prefeitura? Não deixaram a gente entrar, barraram o caminhão. Procuramos a advogada, tivemos reunião dentro da delegacia. O delegado não quis fazer B.O alegando que não havia crime”, ressaltou Bosser.

De acordo com a advogada da empresa, o engenheiro da comissão organizadora chegou a alegar que a feira não poderia atuar no evento, pois no projeto inicial da festa do peão não constava a tenda que havia sido instalada posteriormente para que eles pudessem trabalhar. “Tinham alvará de funcionamento perante o corpo de bombeiros que não previa a instalação das 8 tendas já montadas no espaço onde montariam suas bancas de exposição e venda de mercadorias, e que por isso tais tendas deveriam ser desmontadas imediatamente. Uma solução para que pudessem expor suas mercadorias seria somente na estrutura prevista e constante no projeto, para que a festa não corresse risco de ser embargada novamente”, disse a profissional, que lembrou a permanência das tendas até a tarde de ontem ainda no parque de exposições.

A comissão organizadora solicitou uma reunião com a Associação Comercial e Industrial de Guaíra e a prefeitura. “Foram então chamados alguns membros da ACIG e o prefeito Sérgio de Mello (chegou atrasado). Expliquei que meus clientes não queriam ferir nenhum princípio, não queriam prejudicar o comércio, haja vista que trabalhariam em horários dos quais o comércio já estaria fechado e que ainda estavam dispostos as sugestões para que assim ninguém ficasse insatisfeito. Houve alteração dos membros da ACIG, pois não admitiam a permanência deles no evento, alegando uma série de coisas descabidas, como por exemplo se um produto desse defeito quem trocaria?”, destacou a advogada, que ainda lamentou o comportamento do presidente da ACIG durante a reunião. “Além disso o Sr. Adriano foi extremamente grosseiro e deselegante, ao dizer que o relógio de meu cliente não possuía nota fiscal, induzindo a uma falsificação.  Meus clientes só se pronunciaram quando lhes foram pedido, se mantiveram sempre calmos e abertos a um acordo. O prefeito foi claro em dizer que não estava de acordo quando indagado por Adriano. Quando esgotados todos argumentos possíveis para uma solução, para que ninguém tivesse prejuízo, pedi para encerrar e por fim para que fizessem uma ata para mim. Meus clientes mostraram os impostos pagos pela empresa, disseram que pagariam o valor pedido pelo espaço (R$5.000,00) diretamente à entidade e ainda assim não se manifestaram. Salientei que o intuito da festa era pra arrecadar fundos à entidade, e não prejudicar, mas tudo em vão. Saíram para fazer a ata e quando retornaram disseram que não seria possível fazer para não se ‘comprometerem’”, completou.

 

Os comerciantes da feira do Brás lamentaram o ocorrido. “Não atrapalhamos ninguém, não estamos aqui de graça. Estou pagando tenda, divulgação, o evento… Se não quer que a gente venha pra cá, acho que o prefeito tinha que fazer uma lei e proibir a feira itinerante. Fomos traídos, não tivemos a atenção, o delegado não quis fazer B.O. Isso aqui é uma catástrofe. Falta de respeito”, expôs Eliomar.

De acordo com a empresa, a viagem de mais de 500 km para Guaíra, o aluguel das tendas, dos caminhões e a divulgação lhe trouxe um prejuízo de mais de R$ 25 mil, além de ter perdido a oportunidade de atuar em outra cidade e o lucro com as vendas. A advogada concluiu que a empresa poderá pedir indenização para a festa. “Eles ainda não decidiram, pois no mesmo dia conseguiram um alvará para participarem de uma festa no estado do Rio de Janeiro e assim seguiram, para amenizar seu prejuízo”.

 

SEM RETORNO – A reportagem do Jornal O Guaíra procurou o presidente da SOGUBE e comissão organizadora, Reginaldo Pardal, mas ele não pôde responder por motivos pessoais, se comprometendo a dar um parecer ainda hoje. A prefeitura também não se manifestou – não aceitando realizar coletiva de imprensa – e declarou que irá retornar hoje à tarde.

O presidente da ACIG, Adriano Reis, foi procurado durante todo o dia desta segunda-feira (27), mas não foi localizado.



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