Adriano Mendes Gonçalves e o legado de quem escolheu servir com o coração

Cidade
Guaíra, 14 de junho de 2026 - 09h23

Existem pessoas que passam pela vida deixando rastros.

Outras deixam lembranças.

Mas há aquelas raras que deixam afeto.

Em Guaíra, quando alguém fala do policial militar Adriano Luiz Mendes Gonçalves, dificilmente fala apenas da farda. Fala do sorriso, da conversa amiga, do conselho dado na hora certa, da visita inesperada em um aniversário infantil ou do abraço oferecido quando alguém mais precisava.

Talvez seja por isso que a homenagem que receberá no próximo dia 25 de junho, pelos seus 28 anos de dedicação à Polícia Militar do Estado de São Paulo, tenha um significado que vai muito além do reconhecimento oficial.

Porque algumas histórias não são contadas apenas pelos cargos ocupados ou pelo tempo de serviço.

São contadas pelas vidas que tocaram.

Filho de Luiz Carlos Ramiro Gonçalves e Dionisia Mendes, ambos in memoriam, Adriano nasceu em Guaíra no dia 29 de setembro de 1976. Cresceu ao lado dos irmãos Emerson Mendes Gonçalves, Vagner César Mendes Gonçalves, Fernando Luiz Mendes Gonçalves e Valéria Gonçalves, aprendendo desde cedo valores que carregaria por toda a vida: respeito, honestidade, responsabilidade e amor ao próximo.

O sonho da Polícia Militar não nasceu por acaso.

Na verdade, nasceu primeiro no coração de seu pai.

Um sonho que ele não conseguiu realizar.

Mas que o filho decidiu transformar em missão.

E assim, em 19 de fevereiro de 1998, Adriano ingressou na Polícia Militar do Estado de São Paulo. Foi para Jardinópolis, onde iniciou sua formação no Núcleo de Formação de Soldados, subordinado ao CPI-3 de Ribeirão Preto.

Ali começava uma caminhada que atravessaria décadas.

Vieram os treinamentos.

Vieram os estágios.

Veio a experiência da Operação Verão, em Praia Grande, em 1999.

Vieram os anos de atuação em Ribeirão Preto, na 4ª Companhia do 3º Batalhão e, posteriormente, na Força Tática.

Mais tarde, em 2004, passou a integrar o 33º Batalhão de Polícia Militar do Interior, em Barretos.

Mas o destino ainda lhe reservava um retorno especial.

A volta para casa.

A volta para Guaíra.

E foi aqui que sua história ganhou contornos que nenhum curso policial poderia ensinar.

Porque a segurança pública exige preparo.

Mas a humanidade nasce da sensibilidade.

Ao longo dos anos, Adriano construiu uma carreira respeitada pela disciplina, pela coragem e pelo profissionalismo. Conquistou a admiração dos companheiros de farda, o reconhecimento das autoridades e a confiança da população.

Mas existe um episódio simples que talvez explique melhor quem ele realmente é.

Não aconteceu em uma grande ocorrência.

Não envolveu prisões nem operações de destaque.

Aconteceu dentro de uma casa.

Durante um atendimento comum.

No meio da conversa, uma criança se aproximou, segurou sua calça e disse:

“Tio… hoje é meu aniversário.”

A frase era pequena.

Mas o impacto foi enorme.

Naquele instante, alguma coisa mudou.

Adriano percebeu que, muitas vezes, proteger também significa acolher.

E foi assim que começou uma corrente silenciosa de amor ao próximo.

Vieram os aniversários.

Vieram os encontros com crianças.

Vieram as visitas aos idosos.

Vieram os projetos sociais.

Vieram as campanhas comunitárias.

Vieram os pedidos feitos pelas redes sociais.

E, sem perceber, o policial militar passou a ocupar um lugar especial no coração de centenas de famílias.

Até hoje, recebe convites para festas infantis.

Escuta crianças dizendo que sonham vestir a mesma farda.

Vê pais e avós levando seus filhos para conhecer a base da Polícia Militar.

E nunca recusa uma fotografia, uma conversa ou uma palavra de incentivo.

Costuma dizer:

“Vai firme. Não desista dos seus sonhos. Estuda bastante, mas também brinca porque você é criança. Você é do tamanho do seu sonho.”

Talvez seja essa a mensagem que mais define sua trajetória.

Porque Adriano nunca enxergou a autoridade como uma barreira.

Sempre a utilizou como uma ponte.

Uma ponte entre a Polícia Militar e a comunidade.

Uma ponte entre a força e a sensibilidade.

Uma ponte entre o dever e a empatia.

Na vida pessoal, encontra sustentação na esposa, Aparecida de Lurdes Ventura Vancini, e nas filhas Laura Pasquim Mendes e Luisa Honório da Silva Mendes.

São elas que conhecem os bastidores de uma profissão que exige renúncias, plantões, ausências e sacrifícios.

São elas que ajudam a sustentar a missão de quem escolheu dedicar a própria vida ao serviço do próximo.

Ao longo dessa caminhada, Adriano também contou com o apoio de seus sobrinhos Jonathan, Leirian, Jéssica, Jaine, Paulo Henrique, Ana Clara, Willian, Júlia, Beatriz e do saudoso Alisson, mantendo sempre vivos os laços familiares que tanto valoriza.

Jamais deixa de reconhecer aqueles que caminham ao seu lado.

Agradece aos companheiros de farda, aos parceiros da comunidade, à OAB de Guaíra, às entidades sociais e aos comandantes que valorizam o trabalho policial, especialmente a Major Esther, comandante do 33º Batalhão de Polícia Militar do Interior, o Capitão Vilela, comandante da 4ª Companhia, e o Tenente Ricobello, comandante de Pelotão.

Também faz questão de lembrar do vereador José Neto, responsável pela indicação que resultou nesta justa homenagem.

Mas, acima de tudo, Adriano agradece ao povo de Guaíra.

A cidade que o viu nascer.

A cidade que aprendeu a respeitá-lo.

E a cidade que ele escolheu amar todos os dias.

Ao ser questionado sobre o segredo de uma carreira tão sólida, responde de forma simples:

“Tem que gostar. Tem que ter amor. Quando você trabalha com amor, o reconhecimento vem naturalmente.”

Talvez esteja aí a explicação para tudo.

Os 28 anos que agora são celebrados representam muito mais do que uma marca profissional.

Representam milhares de pequenos gestos.

Representam incontáveis mãos estendidas.

Representam crianças que aprenderam a admirar a Polícia Militar através de seu exemplo.

Representam famílias que encontraram acolhimento em momentos difíceis.

Representam uma vida inteira dedicada ao bem.

Porque algumas pessoas usam a farda.

Outras honram a farda.

E existem aquelas que conseguem algo ainda mais raro:

transformar a farda em abraço.

E é exatamente por isso que Adriano Mendes Gonçalves merece ser celebrado.

Não apenas pelos 28 anos de serviço.


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