Atuação da OMS na pandemia da covid-19 é menos austera do que a esperada, avalia infectologista

Jean Gorinchteyn, avaliou que a atuação da OMS diante da pandemia da covid-19 está sendo menos austera do que era esperada

Saúde
Guaíra, 9 de junho de 2020 - 01h05

O infectologista do Instituto Emílio Ribas, Jean Gorinchteyn, avaliou que a atuação da OMS diante da pandemia da covid-19 está sendo menos austera do que era esperada. “Tivemos pelo menos 40 dias de atraso, em relação ao Brasil, em medidas que poderiam ter favorecido a diminuição da proliferação do vírus.”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, ele lembrou que o Brasil decretou emergência em saúde pública no dia 4 de fevereiro já prevendo grandes consequências. Porém, o posicionamento de pandemia pela Organização Mundial da Saúde só foi declarado no dia 11 de março.

“E a atuação dela, nesse momento, não é mais austera como aguardávamos. Tivemos recentemente um estudo publicado pela The Lancet sobre a cloroquina que não tinha dados corretos e teve o aval da OMS para suspender o uso do medicamento. Isso dificulta muito, principalmente para países como o Brasil — que ainda vivem uma situação que precisa controlar melhor o vírus. Essas afirmações complicam as conduções que poderiam ser tomadas.”

De acordo com ele, esse posicionamento do órgão mundial combinado com o fato do Brasil não ter uma gestão de Ministério da Saúde, e que não traz dados claros, agrava ainda mais a situação. “Temos a OMS de um lado e o Ministério do outro não trazendo dados que são realmente importantes para prevenção.”

Cloroquina

Segundo Gorinchteyn, nunca uma pandemia causou impactos econômicos tão grandes na população — e isso fez com que a corrida por um medicamento fosse mais rápida que o comum, como as esperanças na hidroxicloroquina.

“Em primeiro momento a cloroquina mostrou efetividade em grupos pequenos, tanto é que Donald Trump colocou o problema como resolvido. Mas os estudos que acabavam saindo na sequência, em relação a casos graves, mostravam mortes súbitas por problemas no coração, alterações no fígado, visuais. Outros estudos foram realizados em fases mais precoces, mas ainda não estão disponíveis porque não tem valor científico.”

Vacina

Em relação a uma vacina, o infectologista declarou a importância de não pular etapas — mas afirmou ser possível que elas sejam conduzidas de uma forma mais rápida. “Temos que avaliar o perfil de segurança, efeitos adversos desde a febre até convulsões e eficácia. Por isso existem fases de testes em cobaias e humanos.”

“Quando falamos em eficácia, a principal questão é em relação à criação de anticorpos — a vocação principal de uma vacina. O ideal é que isso aconteça por, pelo menos, 12 meses. Mas frente a uma pandemia, se tivermos boa respostas em relação a capacidade de dar tranquilidade e segurança, ela deve ser liberada de uma forma mais rápida.” (Jovem Pan)


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