Campanha ”Setembro amarelo” faz alerta de prevenção ao suicídio

Psicóloga explica como tratar do assunto de maneira consciente e reconhecer os sinais

Geral
Guaíra, 3 de setembro de 2019 - 10h54


Desde 2015, o Brasil marcou o mês de setembro como ”amarelo” para conscientizar as pessoas quanto ao suicídio. Para falar um pouco deste assunto, a psicóloga Dayara Cardoso, pós-graduanda em Psicologia Clínica e Psicologia do Trânsito, explicou um pouco mais sobre esse assunto tão delicado, que deve ser tratado da melhor maneira possível, disseminando informações de forma responsável e sensível.

O Jornal O Guaíra entrevistou Dayara, que esclareceu algumas dúvidas da comunidade. Para a profissional, o primeiro erro com relação ao tema é não falar sobre ele.


Por que a campanha foi criada em setembro e com a cor amarelo?

O mês de setembro foi escolhido para a campanha porque, internacionalmente, o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. A ideia é promover eventos que abram espaço para debates sobre suicídio e divulgar o tema alertando a população sobre a importância de sua discussão. Segundo a Associação Catarinense de Psiquiatria, a cor da campanha foi adotada por causa da história que a inspirou. ”Em 1994 um jovem americano de apenas 17 anos chamado Mike, tirou a própria vida dirigindo seu carro amarelo. Seus amigos e familiares distribuíram no funeral cartões com fitas amarelas e mensagens de apoio para pessoas que estivessem enfrentando o mesmo desespero de Mike, e a mensagem foi se espelhando mundo afora”.Os pais dele iniciaram uma campanha do programa de prevenção ao suicídio chamado de Fita Amarela.


Você acredita que o suicídio é um problema de saúde pública?

No Brasil o suicídio é considerado um problema de saúde pública e sua ocorrência tem aumentado entre jovens. De acordo com números oficiais, 32 brasileiros se matam por dia em média, sendo essa uma taxa maior do que a de vítimas de AIDS e da maioria dos tipos de câncer. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é a terceira causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos e a sétima causa de morte de crianças entre 10 e 14 anos de idade. Entretanto, um estudo brasileiro afirma que 96,8% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais, muitas vezes tratados incorretamente, diagnosticados incorretamente e até mesmo não tratados de maneira alguma. Ainda assim, a OMS defende que 90% dos suicídios poderiam ser evitados. O desafio é cuidar das doenças mentais como cuidamos das outras doenças. Cerca de 60% das pessoas que se suicidam nunca se consultaram com um psicólogo ou psiquiatra. Doença mental é apenas mais uma doença – e uma que pode causar o suicídio.


Vamos esclarecer alguns pontos e você responde se é mito ou verdade. ”As pessoas, que ameaçam se matar, estão apenas querendo chamar a atenção”?

MITO, pois a pessoa pode sim estar passando por um período difícil de sua vida e estar solicitando ajuda. Toda e qualquer ameaça de suicídio deve ser levada a sério.


”O suicídio acontece sem aviso”?

MITO. Apesar de muitos pensarem ser um ato impulsivo, isso nem sempre é verdade. Muitas pessoas pensam em suicídio constantemente. Além disso, muitos suicidas comunicam seu sofrimento diariamente a outras pessoas.


”O suicídio só acontece com os outros”?

MITO. O suicídio pode ocorrer com quaisquer pessoas que estejam em um alto grau de sofrimento. Aqui vale lembrar que o sofrimento independe de dinheiro, classe social etc…


”Uma pessoa que tentou cometer suicídio uma vez não voltará a tentar”?

MITO. Na verdade as tentativas de suicídio são um indicador de que o suicídio pode realmente ocorrer.


Como reconhecer os sinais?

Frases ou publicações nas redes sociais que falem de solidão, isolamento, culpa, apatia, auto depreciação, desejo de vingança ou hostilidade fora do comum. Coisas como ”Não faço nada direito, sou um lixo” | ”Não quero sair da cama nunca mais” | ”Mais uma madrugada sem sono” | ”Quero que todo mundo se dane” | ”Vocês não vão precisar mais se preocupar comigo”.

Impulsividade: Aumentar o uso de álcool ou drogas, mudanças drásticas de peso, dirigir perigosamente. Uso frequente de emojis negativos. Perguntas sobre métodos letais, como facas, armas ou pílulas. Enaltecer e glamorizar a morte. Desfazer-se de objetos pessoais e dar adeus.


O que as pessoas podem fazer para ajudar alguém nessa situação?

Mostrar que se importa, que a pessoa não está sozinha. Ofereça ajuda sem julgar ou dar conselhos. Diga ”Estou preocupado com você. Quer conversar? O que posso fazer para te ajudar?” Não compare sofrimentos: Não exija que o seu amigo se sinta alegre por ter menos problemas que outras pessoas. Cada pessoa lida com os sentimentos de forma particular.

Pergunte se seu amigo cogita se matar. Se a resposta for ”sim”, não entre em pânico. Compartilhar pensamentos suicidas pode aliviar a sensação de isolamento. O melhor caminho é sugerir auxílio profissional. Por exemplo ”Tudo bem se não quiser se abrir comigo, quer ajuda para encontrar um psicólogo?” O primeiro passo para a prevenção é falar sobre o suicídio. Ele deveria ser tratado como a aids e o câncer de mama, cujas campanhas de prevenção foram fundamentais para diminuir a incidência das doenças.


Se alguém estiver com problemas o que deve fazer?

Procure um Psicólogo ou Psiquiatra ou ligue para o Centro Valorização Vida pelo número 141.



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