CAPS de Guaíra promove evento sobre a Luta Antimanicomial com foco na saúde mental do trabalhador e superação do racismo estrutural

Cidade
Guaíra, 31 de maio de 2026 - 09h31

Nesta quarta-feira, 27 de maio, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Guaíra realizou uma programação especial em alusão à Luta Antimanicomial, no Núcleo Ney Tosta. 

O evento trouxe para o centro do debate uma tríade fundamental para a saúde pública contemporânea: os efeitos das rotinas exaustivas de trabalho, o impacto do racismo estrutural nos processos de adoecimento e, acima de tudo, a necessidade urgente de políticas de autocuidado para os trabalhadores.

A discussão partiu de uma premissa básica: não é possível promover a saúde coletiva sem olhar para a saúde de quem está na linha de frente. A gestão assistencial do CAPS, representada pela enfermeira responsável técnica Patricia Dimas, que atua no serviço há 18 anos, destacou a importância de romper com o ciclo de sobrecarga.

 “Durante quase duas décadas acompanhando a evolução deste serviço em Guaíra, aprendi que o CAPS é um organismo vivo, movido pelo esforço de cada pessoa que aqui trabalha. Discutir o racismo estrutural e as rotinas exaustivas não é apenas um exercício intelectual, é um ato de coragem necessário. Precisamos normalizar o estabelecimento de limites. Não podemos servir de um copo vazio; o cuidado com a nossa própria saúde mental é a base para qualquer atendimento de qualidade que entregamos à nossa comunidade”, afirmou a gestora.

O evento destacou que o racismo estrutural atua como um determinante social de saúde, agravando quadros de sofrimento psíquico tanto para a população atendida quanto para a equipe técnica. O debate instigou os participantes a reconhecerem como essas dinâmicas operam no cotidiano, buscando caminhos para um acolhimento mais justo, equitativo e livre de preconceitos.

Além da reflexão teórica, o encontro serviu para fortalecer os vínculos internos. Em um momento de trocas, a equipe reafirmou o compromisso de que a Luta Antimanicomial — que defende a liberdade e o cuidado comunitário — deve começar dentro da própria unidade, garantindo condições de trabalho que permitam uma assistência digna e sustentável.


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