-
º º 07:06
Guaíra - SP

Akira Omoto Homenagem

Em homenagem ao empresário Akira Omoto, estamos reeditando uma entrevista concedida em 2014

Cidade
Guaíra, 4 de dezembro de 2018 - 16h07

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Akira Omoto

A figura carismática e risonha do empresário Akira Omoto começou atuando no comercio desde 1957 com a relojoaria de  seu pai. Dele, do seu pai, herdou a honestidade e os conhecimentos do mecanismo dos relógios. Começou seu próprio negócio com uma apenas “portinha” ao lado da loja do Nazen Kazon, depois mais uma “portinha” em frente as Casas Pernambucanas. Akira e a esposa Rosa não se largam, estão sempre juntos e sempre de mãos dadas. Mesmos nas curtas distâncias, caminham com as mãos dadas sempre chamando um ao outro de “bem”. São pais de Sandra, Beto e Franco. Seus netos são Mel e Theo.

 

Origem

Nasci em primeiro de Janeiro de 1942 na cidade de Hiroshima, no Japão. Estava com cerca de 4 anos quando a bomba foi lançada na minha cidade. Lembro-me perfeitamente daquele cogumelo enorme, daquela claridade e do barulho ensurdecedor. Nossa família morava a 12 km de onde a bomba caiu,  e inacreditavelmente, milagrosamente, ninguém da minha família foi atingido e nem tivemos seqüelas. Lembro-me também que meu pai ajudou a recolher as vítimas fatais daquele fatídico dia. Uma lembrança triste desta história.

 

Curiosidade

Meus pais se casaram no Brasil. Eles vieram no navio da primeira imigração  e tiveram cinco filhos aqui. Moravam em Presidente Prudente. Posteriormente,  meus pais ficaram indecisos entre comprar uma fazenda aqui no Brasil ou voltar para o Japão. Resolveram retornar para o Japão, como os  seus cinco filhos brasileiros,   se estabeleceram na cidade de Hiroshima, onde eu nasci.

 

E aí?

Com onze anos, já completamente alfabetizado em japonês, minha família resolveu retornar para o Brasil. A imigração tinha contrato com trabalhos em Belém do Pará, em uma plantação de pimenta do reino. Ficamos pouco tempo por lá. Cerca de apenas dois anos.

 

Como Guaíra surgiu na sua história?

Depois destes dois anos trabalhando na plantação de pimenta do reino, já tínhamos alguns parentes que moravam em Miguelópolis. Então resolvemos ir para lá. De Miguelópolis para Guaíra foi só uma questão de tempo. Nesta época meu pai já trabalhava com relojoaria, então aprendi com ele todos os mecanismos dos relógios e montamos uma pequena empresa

 

A simpática esposa Rosa

(risos) Não me lembro bem como a conheci, eu a via passar, foi paixão a primeira vista. Ela estudava fora de nossa cidade. Estudava em Lins. Quando ela voltou, havia aquelas brincadeiras dançantes nas casas das pessoas, então fui diretamente falar com os pais dela para pedi-la em namoro. Foi simples assim: namoramos e casamos e estamos juntos até hoje!

 

Fama do Brasil

Depois da guerra, o Japão estava passando por dificuldades então havia muita  propaganda do Brasil e como meus pais já haviam estado por aqui, resolvemos vir  para cá, mas nunca mais voltei!

 

Profissão

Pode parecer estranho,  mas a profissão de relojoeiro ainda está bem viva. Tenho fregueses em Goiás, Minas Gerais, que ainda trazem seus relógios para consertarem aqui. Vendi muitas alianças para casamentos porque quando comecei só havia a minha relojoaria e a do Garbim.

 

Saudades

Tenho mais saudades da Guaíra antiga do que desta Guaíra moderna. Já tive muitas saudades do Japão, no começo,  mas hoje não tenho mais este sentimento tão forte assim. Por muito tempo me comuniquei, através de cartas, com os amigos que lá deixei, depois as cartas foram rareando até sumirem completamente.

 

Distrações

Gosto muito de assistir filmes japoneses. Todas às vezes que vou para São Paulo trago livros e filmes japoneses. E só trabalho ouvindo músicas, músicas japonesas, o tempo inteiro ouço músicas. Como não gosto de barulho, quando tinha quermesse aqui pertinho, eu levava as crianças para comer batatinha frita e tomar guaraná, “antes” da festa começar.

 

Paixão pelos cães

Sempre tive cachorros!  Gosto de cachorros de raças grandes. Gosto da raça Colie e quando eles morrem arrumo outros da mesma raça. Todos nós gostamos  de animais. Minha filha Sandra sai com eles de manhã e à tarde. De vez em quando nós também saímos para dar voltas com  eles. Hoje tenho três: Sindy, kica e Kim.

 

Lembranças

Tenho muitas lembranças de Guaíra. Lembro do “serviço de auto-falante”, que era aqui bem pertinho da empresa e  quem comandava era o Caputi, quando morria alguém tocava a “Ave-Maria” e todos ficavam quietos para ouvir a nota de falecimento. Havia também o João Figueiredo, marido da Olga, irmã da Rosa.   Mas, hoje posso garantir que  temos uma vida feliz,   me sinto um  brasileiro nato  e guairense de coração.


TAGS:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

OUTRAS NOTÍCIAS EM Cidade
Ver mais >
Acompanhe nossas atualizações. Siga-nos