A importância de cuidar antes que doa

Editorial
Guaíra, 23 de janeiro de 2026 - 15h11

Há iniciativas que valem não pelo tamanho, mas pelo alcance silencioso que produzem. Em um país onde a saúde mental se tornou uma das maiores urgências sociais, ações como a promovida pela USF Dr. José Vilela Junqueira não são apenas oportunas, são essenciais. Elas representam o cuidado que chega antes da crise, a atenção que se antecipa ao sofrimento e a responsabilidade pública exercida no seu sentido mais humano.

A palestra realizada na unidade, dentro da campanha Janeiro Branco, reafirma uma verdade que precisa ser repetida. Saúde mental se constrói no cotidiano, no diálogo acessível, na orientação clara e na escuta qualificada. Ao levar esse debate para dentro da Unidade de Saúde da Família, a iniciativa fortalece o papel da Atenção Básica como primeira linha de defesa contra o adoecimento psíquico, aproximando o cuidado da realidade das pessoas.

O mérito da ação está justamente em sua simplicidade estratégica. Falar de emoções, ansiedade e depressão em um espaço conhecido pela população quebra barreiras, reduz estigmas e estimula a busca por ajuda. Quando o tema é tratado com naturalidade no posto de saúde do bairro, ele deixa de ser tabu e passa a ser compreendido como parte do cuidado integral.

A condução da atividade pela diretora Letieri Cristina Monteiro, aliada ao envolvimento de toda a equipe da USF, demonstra que a efetividade desse tipo de iniciativa depende do comprometimento coletivo. Não se trata de uma ação isolada, mas de um posicionamento institucional que reconhece a saúde mental como prioridade permanente, e não apenas sazonal.

Mais do que informar, a iniciativa cumpre um papel preventivo fundamental. Ao orientar, acolher e conscientizar, evita que sofrimentos silenciosos evoluam para quadros mais graves, desafogando a rede especializada e, sobretudo, preservando vidas. É assim que o SUS se fortalece, quando a atenção começa perto, com sensibilidade e responsabilidade.

Que ações como esta não sejam exceção, mas regra. Porque investir em saúde mental na base é investir em uma comunidade mais saudável, consciente e capaz de enfrentar seus desafios com dignidade.


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