Em tempos de agendas apressadas e vínculos cada vez mais frágeis, a Caminhada do Pindoba seguiu na contramão do esquecimento. Ao completar sua 26ª edição, o evento reafirmou que tradição não se limitou ao apego ao passado, mas se construiu como um pacto silencioso entre gerações que se reconheceram no mesmo caminho, no mesmo chão e na mesma fé. Percorrer quase 20 quilômetros até a Capela do Pindoba foi, antes de tudo, um gesto simbólico de sair do conforto para reencontrar o essencial.
A força da Caminhada esteve na soma de esforços. Longe de ser obra de um único nome, o evento se sustentou em uma rede que envolveu organizadores, poder público, voluntários e, sobretudo, a própria comunidade. A atuação da Prefeitura, ao garantir estrutura, segurança e acolhimento, demonstrou que políticas públicas também se fazem ao valorizar o patrimônio imaterial, aquele que não se ergue em paredes, mas permanece vivo na memória coletiva. Quando o poder público caminhou junto com a população, o resultado foi pertencimento.
A missa campal, ponto alto da romaria, funcionou como um verdadeiro rito de costura social. Fé, história e identidade se entrelaçaram, transformando a Capela do Pindoba em mais do que um destino físico. Ela se consolidou como marco afetivo. O acolhimento da família Marcussi, a dedicação de Orlandinho Gutierrez e amigos e a condução espiritual do Padre Edisson Pátaro reforçaram que tradições só permanecem quando são cuidadas com respeito, compromisso e continuidade.
Mais do que um evento no calendário, a Caminhada do Pindoba foi um lembrete anual de quem a comunidade foi e de quem escolheu continuar sendo. Ao reunir moradores e visitantes, projetou Guaíra para além de seus limites geográficos e simbólicos, mostrando que desenvolvimento também passa pela preservação das raízes. Seguir por esse caminho comum foi, e segue sendo, a forma mais segura de saber de onde se veio e para onde se quer ir.

