Por que há tantas obras desmoronando no Brasil?

Editorial
Guaíra, 23 de abril de 2016 - 10h06

Engenhão, Transposição do São Francisco, Barragem de Mariana, Palace II, Viaduto em Belo Horizonte, as obras do BRT e a mais recente, a ciclovia da Niemeyer no Rio. Não precisa ser muito gênio para fazer as contas.

A Lava Jato já nos deu tudo mastigado, de como funciona as obras públicas no país. A construtora financia as campanhas dos políticos, que se elegem e contratam as empresas doadoras para as obras. Os políticos tiram todos os percentuais possíveis – no caso do PT um percentual fixo deveria ser destinado ao partido (que o diga Celso Daniel), e a empreiteira ainda tem que guardar dinheiro em caixa para investir nas campanhas dos próximos anos.

O que resta não dá pra fazer muita coisa: a obra então é entregue do jeito que for possível com o pouco dinheiro que restou. Na verdade, a surpresa é quantas obras ainda se mantém em pé pelo país.

A Lava Jato é claramente uma investigação fora da curva, no que tange competência. Com o perdão da impunidade, só estimula-se ainda mais ajustes escusos que resultam em obras como essa. A adoção pelo Supremo Tribunal Federal de que um réu passe a responder pelo seu crime preso após julgamento pela segunda instância, já foi um grande passo. Agora não basta mais ter bons advogados garantistas para se manter livre para o resto da vida tendo como base liminares.

O segundo grande ponto é retirar o máximo o controle do Estado. Todos concordam que nosso sistema político é falho. Duvida-se que alguém que não tenha se chocado com a votação do impeachment no último domingo. Imagine aquelas pessoas, organizando e fiscalizando obras públicas lideradas por gerentes como Dilma?

O resultado não poderia ser diferente. Quanto mais o Estado atuar como agente gerenciador, fiscalizador e pagador, maior a chance de uma ciclovia desabar após ser atingida por uma onda, nas palavras de algumas testemunhas, “como se fosse uma folha de papel”.

Soluções existem. Mas antes de tudo, precisam ser tomadas por parlamentares e membros do executivo que estão nos seus cargos não por um projeto de poder, ou colocados como base de governo em troca de dinheiro vivo, ou cargos estratégicos altamente rentáveis. Mais justiça, menos Estado. O país agradece.23


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