Ser ou não ser transgênero!

Editorial
Guaíra, 25 de outubro de 2017 - 09h32

Marcelo Lacativa é médico e escreveu um texto muito elucidativo. Confira:

Em todo lugar se fala sobre a identidade de gênero. Identidade de gênero é como a pessoa se enxerga. Pode ser cisgênero, quando a pessoa se enxerga igual ao sexo de nascimento, ou transgênero, quando é do sexo oposto. Há ainda a agênero, quando a pessoa não se identifica com nada.

Na novela, havia uma personagem que havia nascido como menina, mas via seu corpo como menino. Era o que chamamos de transgênero masculino. O mais importante é entender que a identidade de gênero é algo que está intrinsecamente definida no cérebro da pessoa. Nas pessoas classificadas como transgênero é como se o cérebro de um menino fosse colocado dentro de um corpo de menina, e vice-versa.

Para deixar as coisas ainda mais loucas, a identidade de gênero não tem nada a ver com preferência sexual. A área que dá a identificação de gênero é diferente da área da que dá a preferência sexual. E por serem áreas separadas, não possuem a relação que a sociedade pensa que há. Assim, um homem pode ter nascido no corpo de uma mulher e mesmo assim ter preferência sexual por uma mulher.

Voltando à novela, a personagem transgênera era um menino em um corpo de menina, que gosta de meninos. Ou seja, é caracterizado cientificamente como um transgênero masculino homossexual.

Mas se já entender que a identidade de gênero vem como uma alteração cognitiva estrutural do cérebro, e que não pode ser mudada, já ajuda muito. A pessoa não “vira” transgênero. Nem mesmo por causa de abusos sexuais na infância, pai ausente ou porque viu o cachorro ser atropelado na porta de casa.

É importante entender que a identidade de gênero não é modificável, e que o problema vem exatamente quanto se tenta modificá-la.

De um lado, temos os defensores da “tradicional família brasileira”, que não aceitam que existam meninos que não sejam machos e meninas não sejam prendadas e dedicadas ao lar.

Por outro lado, temos alguns radicais que criaram uma nova denominação chamada “ideologia de gênero”, que seria uma distorção da definição correta de “identidade de gênero”. Esses são aqueles que evitam colocar qualquer coisa que tenha referência a gênero nas crianças. Escolhem nomes neutros, usam saia um dia e macacão no outro, evitam usar cores como rosa e azul e ninguém pode ver as crianças nuas para não saber o gênero real da criança.

Os dois grupos, apesar de contrariamente opostos, caem no mesmo erro: acreditar que a identidade de gênero pode ser modificada. E repito, não há evidência científica nenhuma que comprove que é, foi ou será possível modificar a identidade de gênero de qualquer pessoa, seja ela cisgênero, seja ela transgênero.

Qualquer pai sabe do que estou falando. É tão errado o pai que proíbe o filho homem de brincar de boneca “por ser coisa de menina”, quanto o pai que não deixa a criança brincar de carrinho por ser uma “coisa que predispõe ao gênero masculino”.

A criança tem que brincar com o que ela quiser, se comportar da forma que lhe seja mais natural, vestir o que desejar. Se ela vier a se mostrar como cisgênero no futuro, ótimo, a sociedade está pronta para recebê-la de braços abertos. Se vier como trans, ok, vamos trabalhar a sociedade para aceitá-la como ela merece, com o mínimo de traumas possível.

Por que amar seu filho da forma que você deseja que ele seja é mole. Difícil é amá-lo como ele realmente é.


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