Empresários estão com dificuldade em acessar linhas de crédito durante a pandemia

Entre as dificuldades, segundo o Sebrae, estão as elevadas taxas de juros praticadas pelas instituições financeiras, o excesso de burocracia ou a falta de garantias por parte das pequenas empresas

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Guaíra, 9 de junho de 2020 - 01h45

Os micro e pequenos empresários de Guaíra estão sofrendo como os de todo o país. Apesar de o Governo Federal divulgar os programas de crédito para apoiar MEIs, micro e pequenas empresas, muitos estão com dificuldade em conseguir o financiamento. O pedido é feito, mas a maioria está saindo dos bancos com as mãos vazias.

Muitas firmas entraram no Programa do Governo Federal que prevê a suspensão de trabalho de colaboradores CLT, ao qual assume dois meses de salário dos funcionários e, em contrapartida, as empresas garantem que não haverá demissões.Mas, para manter as contas em dia, pagar fornecedores, contas de energia e água, aluguéis, entre outros problemas que continuam aparecendo durante a pandemia, mesmo sem movimento de caixa como antes do novo coronavírus, os profissionais estão tentando outras linhas de crédito para pequenos negócios.

“Não estamos conseguindo um retorno positivo dos bancos. Apesar de o governo federal anunciar esse apoio aos nossos setores, as instituições bancárias não estão ajudando. Aliás, muitas vezes acabam dificultando e acabamos não conseguindo benefício algum. Os pré-requisitos são maiores”, afirma uma empresária que preferiu não se identificar. “Como nossa cidade é pequena, e com esta exposição, é capaz de não conseguir mais nada no banco”, continua.

De acordo com uma pesquisa do Sebrae e a Fundação Getúlio Vargas, com mais de dez mil pequenos empresários, de 30 de abril a 5 de maio, 38% solicitaram crédito, 14% conseguiram e 86% tiveram pedido negado.As razões alegadas para isso foi que a empresa está negativada no Cadin e Serasa por débitos anteriores (25,3%), as taxas de juros são altas (18,8%) e falta de garantias ou avalistas (13%). A pesquisa também mostra que ¼ das MPEs e dos MEI ainda aguardam retorno dos bancos que procuraram para solicitar o crédito. De acordo com o gerente executivo da FGV, Luiz Gustavo, o tempo de resposta do sistema bancário não está minimamente adequado à urgência dos pequenos negócios.

“Estamos em um momento que sempre acaba aparecendo alguma situação no vermelho, e que quem poderia nos ajudar é o banco ao qual sempre fomos clientes. Mas não é bem isso que temos visto nessa crise”, disse outro comerciante.

Para o presidente do Sebrae, Carlos Melles, o alto índice de pedido negado pode ser explicado pelas elevadas taxas de juros praticadas pelas instituições financeiras, o excesso de burocracia ou a falta de garantias por parte das pequenas empresas. “Por essa razão, o Sebrae está trabalhando para ampliar o volume de instituições parceiras para a operação do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe). Já contamos com 12 organizações, entre bancos públicos e privados, cooperativas de crédito e agências de fomento. Queremos estender esse apoio a um número maior de empresários”, comenta Melles.

Banco do Povo

Parceria com Sebrae SP a partir deste mês, o Banco do Povo Paulista irá oferecer crédito e financiamentos de recursos para os empreendedores paulistas, através do “Sebrae Juro Zero” e “Empreenda Rápido”, a partir das consultorias realizadas pelos agentes locais do Sebrae. Mas, essas linhas de crédito também exigem normas e regras que incluem Trilhas do Conhecimento, com a realização de cursos de empreendedorismo e de gestão de negócios.

 


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