Número de casos de câncer em Guaíra está dentro da média do sudeste

Água servida à população passa por análise de hora em hora. De acordo com o governo municipal, em 20 anos de levantamento, nunca foi encontrado qualquer contaminação por agrotóxicos

Cidade
Guaíra, 18 de fevereiro de 2019 - 10h14

Ao confundir-se com estudo realizado no ano passado, referente ao índice de mortes por doenças, muitas pessoas acabam cogitando que, em Guaíra, há uma incidência exagerada de câncer. Em alguns casos, chegam a especular que a qualidade da água servida à população através do DEAGUA está relacionada com as enfermidades.

Para esclarecer todos esses boatos, a reportagem do Jornal O Guaíra buscou informações com a prefeitura municipal, que realizou estudo junto à Fundação Pio XII “Hospital do Amor”. Foi constatado que, na última década, o número de casos novos de câncer em Guaíra foi equivalente aos registrados na região sudeste (Tabela).

Números de casos de câncer registrados por ano em Guaíra

  • 2007 – 138 Casos
  • 2008 – 134 Casos
  • 2009 – 158 Casos
  • 2010 – 136 Casos
  • 2011 – 151 Casos
  • 2012 – 137 Casos
  • 2013 – 135 Casos
  • 2014 – 144 Casos
  • 2015 – 152 Casos
  • 2016 – 139 Casos
  • 2017 – 142 Casos

De acordo com os dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer), que estabelece para a região Sudeste uma média de 367 novos diagnósticos de câncer por ano, a cada 100 mil habitantes, com uma média de 142 neoplasias detectadas, a cada ano, para seus 40.533 mil habitantes (IBGE – 02/2019), Guaíra está, até ligeiramente, abaixo da média (cálculo feito pela média, pois os números oscilam de um ano para o outro, conforme mostra a tabela).Dados da Fundação Pio 12 – Hospital do Amor

Sobre à Água

O DEAGUA (Departamento de Esgoto e Água de Guaíra) informou que faz mais análises da água do que o exigido pela norma (Anexo XX da Portaria de Consolidação Nº05 do Ministério da Saúde/2017) e que, em mais de 20 anos de levantamentos no Ribeirão do Jardim, nunca detectou indícios de contaminação por elementos químicos nocivos, oriundos de agrotóxicos agrícolas.

Amostragens da água que entra e saí da ETA (Estação de Tratamento de Água “Manuel Joaquim de Almeida”) são testadas de hora em hora e as demais fontes fornecedoras – poços artesianos, Balneário e poço do Guaritá – também são monitoradas diariamente, mesmo que, na origem, estas águas subterrâneas tenham chances muito diminutas de serem contaminadas.

+ de 100 Doenças

“Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células, que invadem tecidos e órgãos”. Esta é a definição do Inca. Assim sendo, segundo especialistas, mesmo que a água servida à população estivesse contaminada, não teria o atributo de ser a desencadeadora de todos os tipos de cânceres.

Envelhecimento + Melhor Saúde

O conjunto de maior longevidade e ampliação de assistência à saúde vem aumentando os índices de detecção do câncer em todo mundo, especialmente nos países em desenvolvimento. As pessoas vivem mais, tendo mais tempo de vida e mais tempo para desenvolver neoplasias. Além disso, com mais diagnóstico, os médicos têm condições de orientar prevenção, administrar tratamentos e, nos casos de óbito, registrar o câncer no atestado. Logo, os casos vão para as estatísticas oficiais. Em décadas anteriores ou localidades de menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), muitas pessoas morrem com câncer, sem saber.

Repercussão

Uma matéria da EPTV Ribeirão levou a população de Guaíra, diante a uma má interpretação do assunto, a acreditar na tal exacerbada taxa de incidência de câncer. No entanto, a reportagem, assim como o Jornal O Guaíra à época, relatou na data do dia 16 de abril de 2018, que na região de Ribeirão Preto: Guaíra, Drumond e Vista Alegre do Alto tinham o câncer como principal causa de morte.

É importante relatar que isso não quer dizer que sejam registrados mais casos, ou que as neoplasias aqui são mais letais. Pode indicar, por exemplo, que as demais patologias com alta incidência (como doenças do coração e AVCs) têm um melhor atendimento pela rede de saúde, resultando em menor número de casos fatais ou maior taxa de sobrevida.

A emissora, inclusive, chegou a convidar um oncologista em seus estúdios para fazer uma interpretação dos dados apresentados pelo Observatório de Oncologia. O especialista apontou categoricamente que as cidades que registram o câncer como principal causa de morte são as mais desenvolvidas, com maior longevidade da população e maior acesso a saúde.

Informação Positiva

Os dados da pesquisa feita pela prefeitura serão apresentados, de forma detalhada, para todos os setores da Administração e também para os vereadores. De acordo com o governo, o objetivo é a transparência para evitar “alarmismo” à população e, por outro lado, orientar os agentes públicos, especialmente nos setores de Saúde, Educação e Assistência Social, com o escopo de nortear prevenção, detecção e tratamento precoce do câncer, como preconizam as instituições que lutam contra a doença, que foi o mal do século 20 e permanece aterrorizando, globalmente, a população no novo século que desponta.



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