100 milhões de brasileiros sem saneamento básico

Opinião
Guaíra, 2 de março de 2017 - 08h08

O Brasil vive muitos e graves problemas, todos eles merecendo atenções verdadeiramente prioritárias dos nossos governantes municipais, estaduais e federal: entre tais, conforme destaquei em recente pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa estadual, os do tratamento da água e do saneamento básico.

No Brasil, eis um dado terrível, cerca de 35 milhões de pessoas não têm acesso à água tratada. Até parece uma estatística impossível:  35 milhões de pessoas são forçadas a beber água de poços, de córregos ou de rios sem qualquer tratamento prévio.

Mais grave ainda, no entanto, é o caso do esgoto:  100 milhões de brasileiros não têm redes coletoras de esgoto em suas casas e 60% dos esgotos gerados são lançados em rios e córregos sem qualquer cuidado com seus efluentes.

O que isto pode significar para a saúde dos brasileiros vivendo nessas condições?  Cem milhões de brasileiros não dispondo de saneamento básico?  São, assim, cem milhões de brasileiros privados de um benefício essencial em qualquer residência que é o aparelho sanitário, a popular “privada”. Desses cem milhões, trinta e cinco milhões bebem água, muitas vezes, de origem duvidosa e contaminada por coliformes fecais.

É essencial, portanto, nossos governantes darem prioridade a essa área da Saúde, principalmente no relacionado à água tratada e à rede de esgoto para a população. Mesmo em São Paulo, o estado mais rico deste país, muitas casas ainda estão sem privada e sem rede de água devidamente tratada.

Aproveitei minha fala da tribuna para fazer um apelo – começando pelo estado de São Paulo – ao governador Geraldo Alckmin, para fazer um plano específico garantindo, para dentro de tantos anos, que não ficará uma só família sem água devidamente tratada e sem a rede de esgoto passando em frente à sua casa.

Na realidade, hoje é comum ouvirmos falar “não”, porque os poderes públicos estão sem dinheiro. “Está muito difícil.”

Poxa, mas o que aconteceu neste País? Na Copa do Mundo não havia dinheiro para construir estádios e campos de futebol ao custo de bilhões de reais?

Só o estádio do Maracanã, por exemplo, consumiu cerca de um bilhão e duzentos milhões de reais, dos quais R$ 224 milhões foram “aplicados” em propinas. Houve, ainda, outros estádios contemplados com milhões ou bilhões de reais e, na verdade, foram construídos de tal forma que, se botassem a população inteirinha das cidades onde eles estão, sequer conseguiriam lotá-los. Para isso, havia dinheiro…

Agora, se a população ficar dentro de casa, se não sair às ruas para efetivamente exigir dos políticos, dos administradores públicos, a aplicação correta do dinheiro dos impostos, nós vamos continuar vivendo, em termos de tratamento da água e de saneamento básico, essa situação verdadeiramente calamitosa.


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Welson Gasparini

Welson Gasparini, deputado estadual (PSDB), advogado e ex-prefeito de Ribeirão Preto

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