A educação não é disruptiva

Opinião
Guaíra, 22 de outubro de 2021 - 09h14

Quando o assunto é disrupção, precisamos tomar cuidado quando há impacto e ela se relaciona diretamente aos processos orgânicos, fisiológicos. É fato que o organismo humano evolui, mas não de forma abrupta. É um lento processo.

Assim, quando falamos em inovação e disrupção na educação, é preciso um intenso e imenso cuidado. Forçar a fisiologia da aprendizagem a processos desconexos com sua capacidade é modismo e não gera os efeitos esperados. Muito pelo contrário.

Por outro lado, vivemos um momento ímpar na história do processo educacional. Nossas práticas, grosso modo, são arcaicas. Os modelos tradicionais, já faz tempo, estão ultrapassados. Os não tradicionais ainda encontram resistência por certa parte da população, muitas vezes, por poetização do passado. Por mais que tenha passado por processos desestimulantes e desumanos, estudar, assim como trabalhar (assunto tratado no artigo anterior), para muitos, tem que vir carregado de certo grau de castigo, se não parece que não funciona.

Dentro disso tudo, é evidente, e premente, que necessitamos de mudanças. E, valha-me Deus, nada de modos operandi do passado! A nossa capacidade e nossa fisiologia estão à frente do que se faz e do que foi feito. Então, necessitamos de uma evolução, de inovação, mas não de disrupção. Por que digo isso?

Na ânsia de inovar, muitos estão se apoiando em modelos sem nexo causal com a fisiologia humana e com o processo de ensino-aprendizagem. Assisti a uma palestra, dias atrás, na qual o diretor da escola dizia que teve meia hora de conversa sobre economia, com uma das sumidades da área e que isso valeu mais do que anos de faculdade que ele cursou. A pergunta que ficou para mim foi: e se ele não tivesse a faculdade, teria condições de conversar meia hora sobre o tema? Entenderia alguma coisa?

O fato é que a educação permeia o passado (por meio das bases, dos princípios de cada ciência), do presente (como conseguimos lidar com os problemas atuais) e do futuro (como conseguiremos chegar a novas respostas?). Portanto, mais do que novo ou antigo, precisamos aprender a buscar soluções. Interessante que, já há alguns anos, o canal Futura baseava sua campanha no slogan: “não são as respostas que movem o mundo, são as perguntas”.

Assim, precisamos sair e tirar nossos filhos de um modelo arcaico de educação. Por outro lado, não podemos cair na esparrela de que qualquer coisa nova serve. É preciso implementar novos modelos educacionais, desde que pautados nos princípios das coisas, de modo que ensine a aprender, a pensar e a gerar novas conexões mentais. O novo não pode alimentar a preguiça mental e a passividade dentro do processo, por mais que pareça ao contrário.

Pense nisso, se quiser, é claro!

 

Prof. Ms. Coltri Junior é estrategista organizacional e de carreira, palestrante, adm. de empresas, especialista em gestão de pessoas e EaD, mestre em educação, professor, escritor e CEO da Nova Hévila Treinamentos. www.coltri.com.br; Insta: @coltrijunior 

 


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