A força das histórias

Opinião
Guaíra, 2 de dezembro de 2019 - 11h22

A teoria da Hierarquia das Necessidades de Maslow traz a ideia de uma lógica motivacional de dependência. Segue um ordenamento no qual, sem as necessidades mais básicas supridas, não se pode ter as mais avançadas. Ela começa nas fisiológicas (ter o que comer, condições sanitárias básicas etc.). Em seguida vem a de segurança, depois as sociais, seguidas pelas de estima e de autorrealização.

É importante observar que as quatro anteriores a de autorrealização são ocasionais e temporais. Assim que são supridas, cruzando com a teoria de Herzberg (que trata dos fatores higiênicos – aqueles que presentes não motivam, mas ausente desmotivam – e dos fatores motivacionais em essência), deixam de ser motivadoras. Podemos dizer, então, que as quatro primeira são motivadoras até o momento em que são atingidas, mas, a partir daí, passam para o estágio de higiênicas. A autorrealização, por ser o topo da hierarquia, nunca será higiênica, portanto, o único fator motivacional em essência.

Por dedução, essa última fase necessita de ação e resultado (realização), com participação efetiva da pessoa (auto). Mais que isso, um olhar interior e reconhecimento de seu feito. Porém, para que isso aconteça, é preciso preparo interno (para passar pelo processo de realização e para se dar importância aos próprios feitos). Essa educação tem inicio nos contos de fadas, já que as histórias mexem com mitos (as mitologias são muito parecidas, até porque trabalham com arquétipos, que, grosso modo, são símbolos universais).

Por isso as crianças devem ser expostas às histórias infantis. Elas trabalham o bem e o mal. É sempre contada na visão do príncipe, da princesa, do rei e da rainha. Embora o mal tenha força assustadora, colocando o herói à duras provas e a risco de vida, ele é superado. Mais que isso, sua vitória, via de regra, traz benefícios sociais distribuíveis (o elixir).

O rei e a rainha, o príncipe e a princesa, assumem, aqui, o espelho do eu superior. Ele vai se transformar, na adolescência, na vontade de mudar o mundo. Aí, o jovem, ao entrar na fase adulta, vai perceber que essa força sua precisa de união como outras, com outros heróis, para que as coisas comecem a mudar para um mundo mais justo e positivo. Conte e ouça histórias. A imaginação é a mola propulsora de novas criações, de novas realidades. Pense nisso, se quiser, é claro.


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Coltri Junior

Professor Coltri Junior é palestrante, consultor organizacional e educacional, professor e diretor da Nova Hévila Treinamentos

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