As doutrinas do SUS: da ideologia para o mundo real

Opinião
Guaíra, 14 de junho de 2016 - 08h09

Dos anos 90 para cá, as doutrinas do SUS vêm perdendo cada vez mais o seu significado. As ideologias ganharam um tom utópico, já que o próprio sistema ainda não possui condições de exercer plenamente o proposto pela resolução. No dia a dia, os muitos casos que aparecem nas atenções básicas e secundárias sobrecarregam um sistema que possui grandes limitações, como por exemplo, a falta de funcionários e de sistemas de Educação Continuada para a capacitação dos profissionais de saúde, que a cada dia que passa são apresentados a diversas novas situações. O SUS garante que todo cidadão é igual e possui acesso integral à saúde e aos serviços públicos de saúde, porém para garantir esse direito ao cidadão há muito ainda o que melhorar. Mesmo com a grande adesão dos convênios médicos particulares, o SUS ainda possui uma grande demanda, o que lhe exige um constante aprimoramento e ampliação de forma planejada, para garantir que suas instalações e profissionais comportem a grande demanda que possui. Constantemente, vemos nos noticiários que parte da população não consegue o acesso básico ao serviço de saúde que lhe é garantido, como por exemplo, a aquisição de forma gratuita de medicamentos prescritos para suas determinadas doenças, ou na demora em se realizar algum exame específico para obter o diagnóstico da doença que lhe acomete. Podemos ver que este tipo de situação ocorre em todas as esferas, desde a federal até a municipal, e que cada uma possui suas responsabilidades e deveres para amenizar a situação e garantir o acesso total da população. Um modo de auxiliar na melhoria dos investimentos dos recursos que os municípios possuem, seria melhorar as estruturas existentes, equipando-as cada vez mais, capacitando sempre os profissionais atuantes e garantindo o acesso da população às ações de promoção e prevenção por parte da saúde. Com a politização do SUS, podemos analisar que na busca de ampliar o acesso à saúde para a população, nem sempre se conquista este objetivo, pois podemos ver vários projetos que no papel são modelos de gestão e na prática não se aplicam de forma integral; por exemplo, em algumas cidades podemos notar que alguns dos Componentes da Rede de Atenção às Urgências como a Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24 horas) não conseguem atingir o efeito desejado. Em nossa região, possuímos um grande exemplo, a UPA 24 horas da cidade de Barretos, que atravessa grandes dificuldades quando se trata da prestação de serviços de saúde à população, dentre vários outros exemplos da região, como por exemplo, Ribeirão Preto. Uma forma de conhecimento dos direitos que a população possui é a “Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde”, disponibilizado pelo Ministério da Saúde. Neste informativo o cidadão tem acesso a todas as informações sobre seus direitos, podendo assim assegurar a dignidade e o respeito que lhe são garantidos por lei. Nós cidadãos devemos saber todos nossos direitos e deveres, pois assim poderemos cobrar do Poder Público e fazer valer as doutrinas instituídas pela legislação que regem o Sistema Único de Saúde. Acho que chegou a hora das autoridades de todas as esferas, terem um olhar mais humanizado para as questões relacionadas à saúde; afinal, em todas as fases da vida humana, o Sistema de Saúde estará presente. Pois a chave para a melhoria do atendimento à Saúde se chama: HUMANIZAÇÃO!


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Renan Lelis Lopes

Renan Lelis Lopes é Cirurgião Dentista, Funcionário Público, Dentista Clinico-Geral na Atenção Básica de Saúde, Especializado em Ortodontia pela Universidade Cruzeiro do Sul – São Paulo – SP.

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