Dia do sacrifício

Opinião
Guaíra, 13 de setembro de 2016 - 08h09

O islamismo possui duas festividades, uma menor que é o dia do desjejum ao final do mês de Ramadan e outra maior chamada dia do sacrifício. Ambas as festas possuem rituais religiosos, caridade, orações, jejum, recordação de Deus, louvores, havendo assim total sintonia entre adorar o Criador e comemorar com as criaturas.

A comemoração permite às famílias desfrutarem, no dia da festa, de todo o tipo de lazeres, desde as comidas até vestuários, daquilo que esteja dentro do parâmetro islâmico, sem quaisquer ilícitos ou bebidas inebriantes.

Aqui vemos que a religião islâmica é equilibrada e tolerante, existindo espaço para cada campo, cada momento, dando a cada hora sua hora.

O dia do sacrifício se inicia após o termino da peregrinação à Meca, onde depois de cumpridos todos os rituais, muçulmanos de todo o mundo que possuem condições relembram o episódio do Profeta Abraão AS, com seu filho Ismael AS, onde no momento que ia degolar seu filho através de uma ordem divina, Deus mandou no local um cordeiro para ser sacrificado.

Aqui vemos vários ensinamentos, de um filho, de uma mãe e de um pai que aceitaram a ordem de Deus, demonstrando fé, perseverança, mesmo diante de algo tão triste que seria a morte do mesmo. Ao mesmo tempo vemos que o teste de Deus era para provar ambos se aceitavam uma ordem ou não.

Os muçulmanos assim relembram tal ato não só no sacrifício de animais, mas também no principal, que é verificar se cada um esta de acordo com as ordens de Deus ou não, tais como cumprimento das orações, caridade, jejum, boa conduta, honestidade, respeito, etc.

Hoje Deus não manda ninguém matar seu filho para nos testar, mas cada pessoa possui em seu destino inúmeros desafios tais como doenças, morte de entes queridos, dívidas, tristezas, decepções, etc, e cada pessoa sabe se aceita tais testes ou não, sabendo que outros passaram por situações piores e foram agraciados com a paciência que tiveram.

Outro ponto que muitas pessoas sem qualquer conhecimento expressam opiniões, é em relação ao  abate “Halal” (licito),  que  deve ser feito de forma rápida, para que o animal não sofra. Há provas científicas de que, com a degola do sistema “Halal”, o fluxo de sangue que iria para o cérebro é interrompido instantaneamente, causando a morte instantânea, eliminando dessa forma, qualquer possibilidade de liberação de toxinas que contaminem a carne. A retirada do sangue garante que, se o animal estiver com alguma moléstia, as chances do ser humano ser contaminado são menores.

O ritual de sacrifício deve ser praticado com ética, seguindo as Leis do Alcorão. Evocar o nome de Deus no ato da degola tem grande significado, é uma maneira de agradecer pelo alimento enviado por Deus, pedindo perdão, já que os animais são sacrificados para garantir o sustento alimentar do ser humano e não por diversão ou sadismo.

O animal deve ser acalmado, a faca bem afiada, o mesmo deve ser sadio, onde a religião islâmica condena os métodos tradicionais de marretar o animal, causar sofrimento ao mesmo, como acontece em muitos frigoríficos, onde além de não tratar corretamente um ser vivo, as pessoas se alimentam de uma carne com sangue e toxinas, motivo pelo qual há muitos casos atuais de doenças entre as pessoas.

A distribuição da carne do sacrifício do Eid al-Adha fortalece muitos de nossos esforços para agradar a Deus com nossa piedade.  Geralmente uma porção é comida pela família e parentes imediatos, uma porção é dada aos amigos e vizinhos e uma porção é doada aos pobres.  O ato simboliza nossa disposição em sermos generosos para fortalecer os laços familiares e de amizade e nosso entusiasmo em abrir mão de coisas que nos beneficiam para ajudar os necessitados.  No sacrifício reconhecemos que todas as bênçãos vêm de Deus.

Deus assim diz no alcorão: Nem suas carnes, nem seu sangue chegam até Deus; outrossim, alcança-O a vossa piedade.” (Alcorão 22:37).

Por fim neste dia de festa, somos ordenados a reconciliar os laços, preocupar com os  parentes e procurarmos saber da situação deles, onde quer que eles estejam, visitando, desejando visitar uns aos outros, e com isso ensinamos os nossos filhos, presenteando-os nesta data, pois nesta festa, nós ficamos felizes, sorrindo, e com esse gesto há união e jamais rancor na sociedade.

                           


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Girrad Mahmoud Sammour

Girrad Mahmoud Sammour, Advogado, Pós Graduado em Processo Civil, Professor Divulgador Do Instituto Latino Americano De Estudos Islamicos-Ilaei, Diretor Da Mesquita De Barretos-Sp. Dúvidas e palestras  [email protected]

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