Fé na Predestinação

Opinião
Guaíra, 28 de agosto de 2015 - 14h14

Um dos pilares da fé islâmica é a crença no destino, onde Deus é Soberano em Sua criação, age de acordo com Sua Sapiência e Vontade, onde todo ato procede de Deus, de acordo com a Sua Vontade Suprema e leis infalíveis que regem a existência. Isso significa que tudo de bom ou mau, todos os momentos de felicidade ou tristeza, satisfação ou dor, vêm de Deus. Diversos versículos do alcorão nos ensinam tal pilar: “E não existe coisa alguma cujas origens não estejam em Nosso poder, e não o enviamos, senão proporcionalmente.” (Alcorão 15:49) “Deus sabe o que concebe cada fêmea, bem como o que absorvem suas entranhas e o que nelas aumenta, porque tudo emana d`Ele mesuradamente.” (Alcorão 13:8) “Teu Senhor cria e escolhe da maneira que Lhe apraz, ao passo que eles não têm faculdade de escolha. Glorificado seja Deus de quanto Lhe atribuem!” (Alcorão 28:68 ). O conhecimento antecipado de Deus é infalível.  Deus não é indiferente a esse mundo ou ao seu povo.  Ele é Sábio e Amoroso, mas isso não deve nos transformar em fatalistas que dizem, ‘qual o sentido em fazer qualquer esforço? O conhecimento antecipado de Deus não compromete a responsabilidade humana.  Deus nos responsabiliza pelo que nós podemos fazer, o que está dentro de nossa capacidade, mas Ele não nos responsabiliza pelas coisas que não podemos fazer.  Ele é Justo e, como nos deu apenas responsabilidade limitada, Ele nos julga de acordo.  Nós devemos pensar, planejar e fazer as escolhas certas, mas, se às vezes as coisas não saem como queremos, não precisamos perder a esperança ou ficar deprimidos.  Nós devemos orar a Deus e tentar novamente.  Se no fim nós não alcançarmos o que queríamos, devemos saber que fizemos o melhor e não somos responsáveis pelos resultados. Agora, no que tange aos seres humanos, Deus nos dotou de livre arbítrio, sendo que o mesmo não é total e sim parcial. Existem coisas que foram determinadas por Deus, sem que nós possamos interferir. Como, por exemplo, quando iremos nascer, quem serão os nossos pais, como serão nossas características físicas, quando iremos morrer, como também a nossa incapacidade de controlar os músculos do nosso coração ou do nosso estômago, etc. Existem outras situações em que nós podemos utilizar o poder de escolha, como o que queremos estudar, se desejamos praticar o bem ou o mal, com quem queremos casar, se queremos abrir ou fechar a mão, se queremos sentar ou levantar e etc. O homem não é uma criatura impotente em função do destino. Ao contrário, cada pessoa é responsável por seus atos.  Pessoas que não fazem sua parte em relação a assuntos comuns da vida só podem culpar a si mesmos, não a Deus.  O homem está obrigado a obedecer à lei moral; e ele receberá a punição ou recompensa merecida se ele viola ou observa essa lei.  Entretanto, se é assim, o homem deve ter em seu poder a habilidade de quebrar ou manter a lei.  Deus não nos responsabilizaria por algo a menos que fossemos capazes de fazê-lo, conforme vem citado no alcorão: “Deus não sobrecarrega nenhum ser humano com mais do que ele é capaz de suportar.” (Alcorão 2:285) A crença no decreto divino fortalece a crença em Deus. A pessoa compreende que apenas Deus controla tudo e, dessa forma, ela confia e se apoia Nele.  Mesmo quando a pessoa faz o seu melhor, ao mesmo tempo ela se apoia em Deus para o resultado final.  O seu trabalho duro ou inteligência não a fazem arrogante, porque Deus é a fonte de tudo que acontece.  Finalmente, a pessoa alcança paz mental na compreensão de que Deus é Sábio e Suas Ações são ditadas pela sabedoria.  As coisas não acontecem sem um propósito.  Se consegue algo, ela compreende que isso nunca teria lhe escapado.  Se não consegue, compreende que não era para ter acontecido.  Um homem alcança paz interior, confortado internamente com essa compreensão. A Soberania nos céus e na terra pertencem a Deus, e tudo o que o ser humano manifesta em atos ou palavras ou oculta de intenções ou propósitos, Deus o julgará pôr tudo; o bem pelo bem, e o mal pelo mal, e perdoa a quem Lhe apraz. Por fim o muçulmano se torna paciente na adversidade e agradecido na prosperidade, pois sabe que tudo que acontece em sua vida provem de Deus.


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Girrad Mahmoud Sammour

Girrad Mahmoud Sammour, Advogado, Pós Graduado em Processo Civil, Professor Divulgador Do Instituto Latino Americano De Estudos Islamicos-Ilaei, Diretor Da Mesquita De Barretos-Sp. Dúvidas e palestras  [email protected]

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