Meu Outubro Rosa

Opinião
Guaíra, 9 de outubro de 2016 - 09h24

Escolhi outubro para nascer. Prematuramente vim ao mundo talvez prevendo que o último mês do ano não seria o de boas lembranças na minha vida. E foi no dezembro do ano passado que recebi um diagnóstico de câncer de mama. Uma surpresa assustadora. Trago rigorosamente em dia meus exames anuais de rotina e meu histórico familiar me deixava tranquila nessa área.

Continuar vivendo foi o meu primeiro pensamento. Tem cura? Sim. O câncer já deixou de ser uma sentença de morte. Mas depende do tipo e do estágio em que se encontra.

Eu sabia que tinha renascido no olhar preciso do profissional que fez minha ecografia e detectou o pequeno e agressivo tumor. Não podia perder tempo para iniciar o tratamento. O caminho foi cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Meses de muitos procedimentos e remédios com alguns efeitos colaterais nada agradáveis a serem ultrapassados. Busquei forças na minha fé, na confiança nos médicos que me assistem, no carinho da família e dos amigos, fundamentais nessa hora.

Entrei então para a estatística de milhares de mulheres que deparam com essa realidade, como as que encontrei nos hospitais e consultórios dos especialistas. Algumas com sérias sequelas de um tratamento tardio, outras agradecidas pela descoberta precoce. Mas em todas pude ver a vontade de lutar e vencer. Verdadeiras guerreiras que estarão sempre em minhas orações.

Dados da Sociedade Brasileira de Mastologia apontam que cerca de uma a cada 12 mulheres terá um tumor nas mamas até os 90 anos de vida. Por isso precisamos falar mais sobre esse assunto e lutar para que todas tenham acesso a um atendimento adequado não apenas na rede privada de saúde mas também na pública. Pesquisas de novas drogas e métodos de diagnóstico poderão evitar tratamentos que muitas vezes colocam em risco a vida dessas pacientes.

O movimento Outubro Rosa, consagrado à luta pela redução da mortalidade por esta doença, alerta as mulheres para estarem atentas e procurarem atendimento. O autoexame, a ida ao médico, a avaliação através de mamografias e ultrassons são cuidados que levam a um diagnóstico em tempo oportuno. Tempo que o câncer não nos permite esperar.

 


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Suzete Braun

Suzete Braun – jornalista do Zero Hora

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