Para não dizer que não falei das flores

Opinião
Guaíra, 19 de dezembro de 2021 - 09h54

Uma das coisas que aprendi é que conceitos valem (ou não), dependendo de onde estamos ou com quem (ou para quem) falamos. Uma dessas é a distinção que o vocabulário administrativo faz, diferentemente do dicionário, entre eficiência e eficácia. No dicionário não é assim.

Grosso modo, o primeiro refere-se a um processo de trabalho bem executado dentro daquilo que era esperado (o famoso protocolo). A Tam, no famoso acidente em Congonhas, em 2007, foi eficiente. Seguiu todos os protocolos (a aeronave podia ficar até 10 dias na condição de falha de um dos equipamentos no qual ela se encontrava). Deu no que deu.

O segundo, por sua vez, é atingir o resultado, independentemente da forma como se conseguiu. Pode-se dar segurança a um prédio com o dobro da necessidade exigida pela construção. Custo alto e desnecessário. Eficaz, dentro do conceito administrativo.

Já o dicionário, por sua vez, os traz como sinônimos. Talvez pela inteligência de entender que quando o processo e o resultado não levam a caminhos diferentes, não servem, de verdade. 

E o que as flores têm a ver com isso? Tudo. Aqui, ela é a metáfora da alma das ações, das nossas atitudes. Será que fazemos as coisas só pelo resultado único esperado, ou pela sensação prazerosa de percorrer o processo? A graça, para o cantor, está no aplauso? Na conta bancária? Ou está na sensação de plenitude de poder cantar? Nas duas primeiras, ele canta, sim. Na última, além de cantar, encanta (e se encanta). Está presente.

O primeiro livro que escrevi se chama O que é trabalho para você? e traz exatamente esta reflexão (extraída de uma campanha de um banco): “trabalho é o que paga as suas contas, ou que faz tudo valer a pena? O que é trabalho para você?”. 

Assim, óbvio, devemos ter foco, objetivo. É a expectativa do resultado a ser alcançado. 

O que ocorre é que ele deve ser altruísta, ter alma, ser mais do que um simples fim de uma jornada. O resultado é fim. Portanto, acaba. O que ficam são as lembranças do caminho. Por isso comemoramos (co=junto; memorar= lembrar). Daí a importância de um processo bem executado, bem vivido.

Importante saber que as flores, independentemente de as vermos ou as sentirmos, existem, estão lá. Nós é que precisamos enxergá-las e ou exalar o seu perfume. Um objetivo que dê pulso, que dê vida, nos permite fazer isso. É mais ou menos o que dizem Herbert Vianna e Paulo Sérgio Valle em Se eu não te amasse tanto assim: “se eu não te amasse tanto assim, talvez não visse flores por onde eu vim”. 

Um resultado esperado que arde no peito (eficácia), faz com que possamos executar um processo que valha a vida (eficiência – que é a vida, em si).

Pense nisso, se quiser, é claro!

 

Prof. Ms. Coltri Junior é consultor, palestrante, adm. de empresas, mestre em educação, professor, escritor e CEO da Nova Hévila Treinamentos. www.coltri.com.br; Insta: @coltrijunior 


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