Paz e paciência para aprender

Opinião
Guaíra, 2 de abril de 2019 - 09h33

Quando eu tinha 15 anos de idade, me meti a ser compositor. Não sabia nada de música e sempre gostei de poemas. Comecei a escrevê-los, alguns inspirados em temas trazidos pelo tio Clodoaldo, outras em música. Ele então, musicou alguns desses poemas. Outros, meu primo Anderson. Participamos (eu só como compositor) de vários festivais pela região de Barretos. Incrível…

Porém, conforme o tempo vai passando, cada um vai tocando sua vida. Minha produção de letras era muito grande. Assim, senti a necessidade de aprender a tocar violão para poder compor as melodias também. Sem paciência para passar pelo processo de aprendizagem com professor ”aprendi” sozinho. Já são mais de 180 composições e nenhuma possibilidade de execução ao vivo para plateia. Aprendi errado pela pressa. Zero em técnica.

Mas, como tudo tem seu lado bom, isso acabou se tornando um dos grandes ensinamentos na minha vida. Aprender, em essência é ”slow”. Todos nós, professores, quando entramos em sala de aula, temos que compreender que a aprendizagem é fruto de um processo que exige paz de espírito e paciência para evoluir. É uma construção, passo a passo, tijolo por tijolo. Ela passa basicamente por quatro processos: a ignorância, momento em que nem sei do que se trata; a iniciação: já tenho consciência daquilo, mas não tenho a mínima habilidade; o domínio: sei fazer, mas preciso pensar, estar em estado de consciência para poder lidar com aquilo; e o hábito: nem sei que sei, apenas faço, está no automático.

Dessa maneira, não basta a aula, a tarefe e um pouco de exercício. É preciso mais. É preciso reflexão sobre o tema. Aprendemos quando conseguimos dar sentido a esse novo, dentro (e junto) daquilo que já conhecemos. É a apropriação dessas novas habilidades. Obviamente, todos nós, alunos, também temos que entender o mesmo processo. Pressa e pressão têm preço (desculpem o trocadilho). E ele é alto…

Assim, hoje, entendendo completamente o que disse Almir Sater e Renato Teixeira, eu ando devagar (na contraposição ao rápido, mas dentro do tempo certo, que, no fundo é negligenciado) na hora de ensinar e na hora de aprender (exatamente porque já tive pressa). É preciso maturar o novo, pensar sobre ele, conferir-lhe sentido. Quando a gente entende o processo, o caminho fica mais bonito. E parafraseando Herbert Vianna: é preciso ver flores por onde eu vim, dentro do meu coração (lembrando: saber de cor, é aprender de coração). Pense nisso se quiser é claro…


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Coltri Junior

Professor Coltri Junior é palestrante, consultor organizacional e educacional, professor e diretor da Nova Hévila Treinamentos

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