Peregrinação à Meca e seus objetivos

Opinião
Guaíra, 6 de setembro de 2016 - 09h26

Nesta semana, mais de três milhões de muçulmanos de todo o mundo estarão cumprindo o quinto pilar do islamismo, denominado Hajj (peregrinação à Meca), maior congresso religioso do mundo.

 

A peregrinação é feita à Caaba, encontrada na cidade sagrada de Meca na Arábia Saudita, a ‘Casa de Deus’, cuja santidade reside no fato de que o Profeta Abraão SWS a construiu para a adoração a Deus.  Deus o recompensou atribuindo a Casa a Si própria, em essência honrando-a e fazendo-a o epicentro devocional para o qual todos os muçulmanos se voltam quando oferecem as orações.  Os rituais de peregrinação são realizados hoje exatamente como foram feitos por Abraão e depois dele pelo Profeta Muhammad SWS.

 

Milhões de pessoas de diversas nacionalidades, cores, classes sociais, idiomas, de todos os quatro cantos do mundo, vestindo a mesma roupa (duas toalhas brancas), clamando intermitentemente “Labbayka! Allahumma Labbayka!” (A seu serviço, Ó Senhor!), todos honrando o mesmo Deus, todos honrando igualmente uns aos outros, se esquecendo das vaidades desta vida, representando o que será o dia da ressurreição.

 

O significado de uma vestimenta única sem qualquer costura é esquecer de tudo que vincula o ser humano a esta vida, sabendo que deixaremos tudo quando chegar a nossa morte e levaremos conosco apenas as nossas ações, se equiparando a roupa a uma mortalha que todo seguidor do islamismo é enterrado, além de lembrar como será o dia do Juízo Final.

 

Esse ritual é exigido de todos os muçulmanos física e financeiramente capazes de realizar  uma vez em suas vidas. Lá, revigoram a fé de que todos os muçulmanos são iguais e merecem o amor e simpatia dos outros, independentemente de sua raça ou origem étnica, estando lado a lado governantes, governados, famosos, anônimos, fortes, fracos, idosos, jovens, demonstrando a fraternidade real que deve existir.

 

Além dos rituais nos locais sagrados, cada peregrino deve abater um carneiro em seu nome, relembrando o sacrifício que o Profeta Abraão iria fazer com seu filho Ismael, onde a carne do animal morto é doada para países pobres de vários locais, havendo assim caridade com o próximo.

 

Outro aspecto interessante é que, mesmo diante de milhões de pessoas num local só, não há qualquer discussão, não há falta de água ou alimentos e a segurança é confirmada pela proteção de Deus naquele local.

 

Em comparação à alta temporada de final de ano no litoral, onde um número bem menor de pessoas desce à baixada santista, é comum a falta de água e alimentos nos supermercados, fato este que não ocorre em Meca, onde a água sagrada de Zam Zam brota há mais de 2 mil anos naquele local e até hoje mata a sede de todos os peregrinos, mesmo havendo poucos dias de chuva o ano inteiro no deserto, comprovando assim o milagre de Deus na casa sagrada.

 

Diversos objetivos são alcançados, os peregrinos passam por vários testes em todos os níveis, por isso, a essência do Haj é o esforço e o sacrifício; o fiel deve controlar suas vontades, seu temperamento, seus sentimentos, suportar o cansaço, o incômodo da vestimenta, da aglomeração, do clima, do local, dos rituais, etc., tudo isso, com o intuito de oferecer algo puro e sincero a Deus, além disso, superar-se e aumentar sua auto-estima e autoconfiança, retomando o controle sobre si, em todos os níveis.

Assim se todos os rituais e objetivos da peregrinação forem praticados corretamente e com sinceridade, os peregrinos, além dos aprendizados adquiridos, ganham o mérito maior, que é o perdão de todos os pecados e a entrada no Paraíso.

   


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Girrad Mahmoud Sammour

Girrad Mahmoud Sammour, Advogado, Pós Graduado em Processo Civil, Professor Divulgador Do Instituto Latino Americano De Estudos Islamicos-Ilaei, Diretor Da Mesquita De Barretos-Sp. Dúvidas e palestras  [email protected]

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