A proibição dos juros

Opinião
Guaíra, 31 de janeiro de 2017 - 09h50

 

O tema de hoje é algo cotidiano em que as pessoas são escravizadas diariamente pelos Bancos e por pessoas que exploram tal atividade, no caso a usura, o empréstimo de dinheiro e cobrança de juros sobre os mesmos.

O Alcorão proíbe expressamente a usura, onde dois dos versículos assim dizem: “Ó crentes, não exerçais a usura, multiplicando (o emprestado) e temei a Deus para que prospereis, E guardai-vos do Fogo, que é preparado para os descrentes” (Alcorão 3:130-131) (2:275/276). No entanto, Deus consente o comércio e veda a usura.

Deus proibiu assim a usura por conta dos malefícios que a mesma traz para o ser humano e a sociedade como um todo, fazendo que haja a busca por dinheiro fácil para uns e exploração de uma maioria, retirando as raízes do amor humano, da fraternidade, bem-estar e felicidade da sociedade.

No segundo versículo Deus deixa claro que o comércio é licito, seja a venda, transações de mercadorias, outras profissões licitas, ficando proibido a usura.

O  Profeta Muhamad (que a paz e bênçãos de Deus estejam sobre ele) também disse: “Juros – mesmo em grande quantidade – no final resultarão em uma pequena quantidade.”

Sem dúvida, na Vida Eterna quando o indivíduo se encontra com Deus, tudo que acumulou através de meios ilícitos será fonte de sua própria destruição, onde verá que nada valeu a construção de riquezas ilícitas através dos juros.

Outro versículo demonstra muito bem as consequências desta prática, senão vejamos: Ó vós que credes, temei a Deus e abandonai o que ainda vos resta da usura, se sois crentes! Mas, se tal acatardes, esperai uma guerra de Deus e do Seu Mensageiro; porém, se vos arrependerdes, reavereis apenas o vosso capital. Não defraudeis e não sereis defraudados” (Alcorão 2:278-279).

Esse versículo nos mostra que aqueles que insistem em usar os juros na relações comerciais e transações estão procurando uma guerra com Deus, onde o prejuízo e castigo poderá vir nesta vida e ainda no dia do Juízo Final.

Assim, se juros são proibidos, toda a cadeia em torno dele será, tais como testemunha desses contratos, quem pagou, quem recebeu, sendo todos igualmente culpados.

A solução para aqueles que se envolveram nesta prática, Deus nos mostra no final do versículo, com arrependimento, ficando com o capital apenas, onde os juros deverão ser doados a uma instituição de caridade ou um necessitado, seja este de algo que foi emprestado ou do próprio rendimento de uma simples caderneta de poupança.

Deve-se ressaltar que esta Lei de Deus foi para todos os povos onde vemos em versículos de outras escrituras sua proibição: Êxodo 22:25 afirma: “Se emprestares dinheiro ao meu povo, ao pobre que está contigo, não te haverás com ele como credor; não lhe imporás juros.”

Em Levítico 25:37 se lê: “Não lhe darás teu dinheiro a juros, nem os teus víveres por lucro.”

Assim é fácil comprovar que os juros são práticas abomináveis, que acarretam a ausência de distribuição de renda justa, inflação, desequilíbrio da economia, exploração, miséria, dependência, maus pagadores, etc.

Entre outros prejuízos, a pessoa não tem tranquilidade nesta vida, há diversos problemas na família, seja de doenças, mortes, separação, perca de dinheiro, uso de drogas, bebidas inebriantes, se tornando um escravo do dinheiro.

O islamismo assim incentiva o fomento da economia, para que as pessoas invistam seu dinheiro em obras lícitas, seja comércio, construção, lavoura, gerando emprego e renda para outras pessoas e não fazendo do próprio dinheiro mais dinheiro, explorando muitos e ganhando poucos.


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Girrad Mahmoud Sammour

Girrad Mahmoud Sammour, Advogado, Pós Graduado em Processo Civil, Professor Divulgador Do Instituto Latino Americano De Estudos Islamicos-Ilaei, Diretor Da Mesquita De Barretos-Sp. Dúvidas e palestras  [email protected]

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