Sentimentos de frustração

Opinião
Guaíra, 20 de fevereiro de 2016 - 10h04

A campanha eleitoral que tem início nos Estados Unidos para escolher o sucessor de Barack Obama, em novembro, mostra sentimentos de frustração entre o eleitorado da nação mais importante do mundo. Estão no foco dessas frustrações: os políticos, suas lideranças partidárias e o interesse de grupos econômicos. No Brasil não é diferente e esses sentimentos de desânimo se fazem presentes em razão de motivações éticas, falta de transparência, práticas patrimonialistas e, de modo especial, ausência de um debate urgente sobre o futuro do País. Ressalte-se que, nas democracias os responsáveis por essas questões fundamentais são a classe política e suas lideranças. Em momentos de crise como essa que estamos vivenciando, seria extremamente importante a existência de lideranças políticas com noção de responsabilidade pública, coisa que não parece acontecer. Quando fazemos essas digressões, não podemos esquecer que o Brasil, hoje, é um País diversificado e plural, e, assim, o debate e o encaminhamento de soluções torna-se mais elaborado e difícil. Todavia, não é correto concordarmos com a encenação presente no combate à crise, uma vez que falta ao governo convicção, credibilidade e apoio político para combatê-la. Reformas precisam acontecer se quisermos voltar a crescer e aumentar a renda de nossa população e diminuir nossas desigualdades. Analisando apenas a reforma da Previdência, constatamos que hoje a população em idade de trabalhar e que contribui para a previdência social cresce 1% ao ano, enquanto a população em idade de aposentar, cresce 4% ao ano. É evidente que essa conta não fecha. Assim, é preciso encarar essa questão como fizeram outros países, inclusive os ricos e desenvolvidos. O Brasil, hoje, tem uma população que está envelhecendo e não é possível continuarmos a aposentar os homens com 55 anos e as mulheres com 53 anos. Esse déficit da Previdência Social tem impacto no déficit das contas públicas e, se continuarmos nessa trajetória, a relação dívida/PIB vai continuar aumentando nos próximos anos e pode se tornar insustentável. Este é só um exemplo, entre tantos outros, dos esforços que precisam ser feitos para a contenção dos gastos públicos no País, principal motivo da crise econômica. A propósito, faz sentido a pergunta: de onde vem o dinheiro para financiar o déficit das contas públicas do governo federal? Vem basicamente da elevação da dívida pública, através da colocação no mercado de títulos do tesouro nacional. Desde o início do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, esta dívida quase dobrou. A regra é a mesma para quem tem dívida: maior a dívida, maior a despesa com juros, aumento de déficit e consequente aumento da dívida. Um círculo vicioso com velocidade crescente. Douglas North, Prêmio Nobel de Economia em 1993, já apontava há mais de 20 anos que nos países ricos a ênfase maior de suas instituições estava voltada para a promoção da produtividade e da concorrência. Já nos países pobres existe uma preferência por promover redistribuição de recursos existentes e cerceamento à concorrência e à meritocracia.  Não podemos continuar a defender e crer em noções atrasadas. O descrédito e o desânimo com nossos políticos talvez encontre aí sua razão principal. De uma vez por todas, a crise atual não decorre de fatores externos, foi gerada aqui e, é incrível que neste momento o “mais do mesmo” tenha voltado. Mais crédito e mais consumo para endividados, com menos renda, e em muitos casos, sem emprego. A Nova Matriz Econômica do ex-ministro Guido Mantega está presente de novo, embora tenha sido resultado dos erros grosseiros cometidos pelo governo do PT. É comum a confusão entre os conceitos de direita e esquerda, e aquilo que é certo ou errado. Não é porque sou de esquerda que estou no caminho certo. Parafraseando Fernando Henrique Cardoso, as políticas de desenvolvimento econômico do lulopetismo não foram de “esquerda”, mas certamente foram erradas, a ponto de nos levar à crise atual. Políticas de distribuição de renda precisam ser sustentáveis para produzir resultados duradouros. Não é isso o que estamos vendo no Brasil.


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Aloizio Lelis Santana

Engenheiro

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