A velha cartilha da vereança me fez escrever sobre política ao invés de futebol

Opinião
Guaíra, 10 de maio de 2017 - 11h08

Volta e meia o cenário político em Guaíra me traz um “déjà vu”, aquele sentimento de já ter vivido uma situação antes. No legislativo, podem até ter mudado alguns, mas é como no futebol, mudam-se os jogadores, porém os que chegam sempre substituem as mesmas posições (Atacante, lateral esquerdo e direito, meia, zagueiro, os reservas e até o gandula, etc.).

São tão previsíveis que chega a dar sono. Eu, particularmente, prefiro assistir ao filme do Pelé! Vereadores guairenses na sua grande maioria trabalham de maneira ultrapassada e os comparo a palpiteiros. Se o atual técnico da seleção brasileira Tite assistisse a uma sessão ordinária ele diria como disse em sua época de Corinthians: “- Fala muito, fala muito!”.

E digo mais, uns ali deveriam trocar a área de atuação e virar radialista, se sairiam muito melhor, “diga-se de passagem”. Nada realmente eficaz e produtivo, somente sessões 90% pautadas em indicações e mais indicações. Legislar que é bom mesmo fica a desejar e mediocremente deixam seus palpites dentro das formalidades. Nada pessoal, muito pelo contrário.  Os admiro em parte pelo fato de terem convencido o povo de forma democrática, porém um molde de vereança totalmente defasado que vem se arrastando durante anos.

Não que esse modelo de política não tenha surtido efeito anos passados, mas o tempo passa e algumas coisas mudam exigindo atualizações buscando novas técnicas com a finalidade de “quebrar o gesso”.  Atrelo o fato da população não se incomodar com a maneira que os vereadores vêm atuando a não conhecer outro tipo de postura, pois é impossível sentir a falta daquilo que não conhece ou nunca experimentou.

Mas agora já fechou a janela de contratação e o time que temos para jogar o campeonato legislativo é esse, a não ser que a dança das cadeiras se estenda daqui para o final e o banco de reservas entre em ação. Imagine você, se alguém da sua família (Deus livre e guarde) fique doente e não há médicos e nem recursos para o tratamento aqui dentro do nosso município, o que você faria?

Deixaria morrer e aceitaria, aliás, a vida é cruel? Essa é uma retórica e não precisa responder. Apenas quero que você reflita. Todos nós, em sã consciência, sabemos da resposta e tenho certeza que você, assim como eu, iria até onde fosse possível para salvar a vida de um ente querido!

E é com esse exemplo que ilustro esse artigo e deixo a seguinte indagação: Por que os vereadores de Guaíra estão acomodados e não estão mobilizados em busca de soluções para manter vivo nosso município?

Esperando nossas entidades desfalecerem de fraquezas, como se não soubessem de um princípio antigo e vem de berço que diz que o melhor é prevenir do que remediar. São na maioria apáticos. Cabe muito bem aquele ditado “Depois da onça morta todo mundo é caçador”.

Gostar-me-ia de escrever aqui de futebol, mas a “velha cartilha” da vereança não me deixa escolha. Essa velha maneira de fazer política já não serve! Como sempre, escrevo com carinho e cautela pensando em quem irá ler e desejo sinceramente que além de você cidadão comum, os vereadores passem os olhos por essas frases cuidadosamente escolhidas e tenham o caráter de reconhecer essa estagnação do nível de nosso legislativo, pois há uma grande diferença em ir para o serviço e outra totalmente diferente de trabalhar, estar de corpo presente somente é o antônimo de estar “de corpo e alma”.

Que não façam somente volume na câmara municipal e como nas populares resenhas futebolísticas que não apenas “cumpram tabela” e que realmente vistam, pois nesse jogo da política quem joga não perde e o ônus fica inteiramente para o cidadão!

Essa lida superficial que me referi anteriormente me faz chegar à conclusão de que nem sempre seguir a lei é fazer justiça. É preciso ter sensibilidade, ser maleável, uma substância amorfa para se moldar as necessidades, mas parece não querer se desdobrar e como justificativa cai bem o termo “A regra é clara” como se não houvesse outro critério de julgamento.

Nessa última semana teve o companheiro que derrapa, mas ninguém perde a oportunidade de chutar, me lembrei do desleal Zagueiro Pepe do Real “mas bate…”! E para ter herói tem que existir vilão, segue a câmara municipal mais autossustentável da região, onde ela mesma cria seus próprios tropeços e lá mesmo aparecem os oportunistas que me lembram de Samuel Eto no Barça.

Trocadilhos a parte, fica aqui minha opinião e quase que uma carta endereçada, para aqueles que como muitos pensam ser eternos, defeito de todo Ser humano. Um legislador deve criar leis assim como se cria um filho, preparando para o mundo e não para si próprio. E que trabalhem beneficiando e organizando, fazendo amarras burocráticas, resguardando a população de possíveis agentes corruptos que ocasionalmente virão. É tempo de arregaçar as mangas criando barreiras para a corrupção e estreitar os laços com o povo!


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Flávio Tavares

Flávio Tavares, Porteiro da Tomilho – Guaíra.

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