Pessoas que se curaram da Covid-19 estão sofrendo preconceito em Guaíra

A discriminação contra familiares de positivados ou pessoas que já se curaram da doença está ocorrendo em mercados, lojas, locais de trabalho e pelas ruas da cidade

Cidade
Guaíra, 30 de junho de 2020 - 01h26

O medo de uma doença ainda desconhecida em muitos aspectos tem causado reação negativa em parte da população guairense. Pessoas positivadas para a Covid-19 e suas famílias têm relatado sofrerem discriminação, além de humilhação, em muitos locais da cidade, como lojas, mercados e até ambientes de trabalho.

Em conversa com uma cidadã, que preferiu não se identificar, ela conta que familiares de uma das vítimas mortais do novo coronavírus em Guaíra além de sofrerem com a perda de seu ente querido, estão sendo alvo de críticas de vizinhos e pessoas em diversos estabelecimentos. Todos testaram positivo para a Covid há mais de mês, tendo sido curados e já liberados do isolamento social. Porém, isso não impediu a falta de respeito de parte da comunidade.

“Estão todos curados, inclusive eu tive e me curei. E mesmo assim, entramos em um mercado, em uma loja e estamos sendo discriminados. Está sendo muito difícil pra todos. O fato de todos terem sofrido preconceito antes de perder seu familiar e, ainda mais agora que ele se foi, o medo é que sofram ainda mais”, relatou uma amiga da família.

Segundo ela, até mesmo quem testou negativo para a enfermidade e chegou a ir ao supermercado para comprar mantimentos aos positivados, foi questionado como se não pudesse estar naquele local. “Eles foram muito responsáveis, avisaram a todos que tiveram contato com eles, se isolaram, porém, tem pessoas da família que não estavam com o coronavírus e iam ao mercado para levar comida aos contaminados e elas sofreram preconceito, por gente que perguntava ‘o que vocês estão fazendo aqui, vocês são família de fulano que está com covid-19’”, disse. Inclusive, dois dos integrantes foram “impedidos” de entrar em seus locais de trabalho, mesmo tendo sido liberados para tal. “O caso está sendo tratado assim: quem tem coronavírus é igual leproso. A família passou por, pelos menos, uns 10 exemplos de discriminação. As pessoas não entendem, acham que a gente tem Covid o resto da vida”, adicionou.

Em outro caso, uma das primeiras pessoas que foi contaminada pela doença no município, sofreu tantas perseguições que o desejo após a quarentena era “ir embora de Guaíra”. E situações semelhantes estão acontecendo com os profissionais de saúde.

De acordo com o secretário municipal da saúde, Jorge Uatanabe, o desconhecido acaba gerando essa desconfiança nas pessoas. “O que acontece é que as pessoas que fazem o certo acabam pagando por aqueles que não têm responsabilidade e que mesmo que estão em isolamento acabam passeando. Acaba acontecendo. É aquele assunto dos ‘bons pagam pelos ruins’. O problema maior é que ficamos sabendo que m está em isolamento, mas não sabemos quando acaba o isolamento e, com isso, acabamos perguntando mesmo se já acabou o isolamento. Ainda mais agora, que são muitos os que estão em quarentena; fica difícil saber”, contou.

Segundo o Ministério da Saúde, o período de incubação do vírus Covid-19 é de 14 dias. Dessa forma, as pessoas que atestam positivo para a doença, mas não desenvolvem os sintomas e não evoluem para internação, são liberadas do isolamento após o período de duas semanas.


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