Por que a vacina que combate a bronquiolite é essencial para gestantes e bebês

A imunização contra o VSR nas gestantes é uma forma de proteção passiva para o bebê

Saúde
Guaíra, 25 de janeiro de 2026 - 11h01

Todos os anos, especialmente nos meses mais frios, milhares de famílias vivem a mesma angústia: bebês com dificuldade para respirar, internações inesperadas e o medo silencioso que acompanha o diagnóstico de bronquiolite. Por trás desse cenário está o vírus sincicial respiratório, conhecido como VSR, um dos principais causadores de infecções respiratórias graves em crianças pequenas e também em idosos. Agora, pela primeira vez, o Sistema Único de Saúde passa a oferecer uma vacina capaz de mudar essa história, protegendo os recém-nascidos logo nos primeiros dias de vida.

Desde dezembro de 2025, a vacina contra o VSR indicada para gestantes começou a ser distribuída na rede pública. A estratégia é simples e poderosa: ao imunizar a mãe ainda durante a gravidez, o bebê nasce protegido justamente no período mais vulnerável da vida. A iniciativa marca um avanço histórico na saúde pública brasileira e é resultado de uma parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica norte-americana Pfizer, que prevê não apenas o fornecimento do imunizante, mas também a transferência de tecnologia para produção nacional.

O vírus sincicial respiratório é altamente contagioso e se espalha por meio de gotículas, tosse, espirros e contato com superfícies contaminadas. Embora possa causar apenas sintomas leves em adultos e crianças maiores, ele se torna especialmente perigoso em bebês. Isso acontece porque o VSR atinge os bronquíolos, estruturas muito pequenas das vias respiratórias. Qualquer inflamação ou acúmulo de secreção já é suficiente para provocar falta de ar, chiado no peito e dificuldade respiratória intensa.

Dados recentes mostram a dimensão do problema. Até outubro de 2025, o VSR foi responsável por mais de 40 por cento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave que levaram à internação de crianças menores de dois anos no Brasil. Em muitos desses casos, o tratamento exige suporte hospitalar, uso de oxigênio e acompanhamento constante, já que não existe um medicamento antiviral específico contra o vírus.

É importante entender que o VSR não é sinônimo de bronquiolite, mas é o principal causador da doença. A bronquiolite é a inflamação dos bronquíolos, e embora outros vírus possam provocá-la, o VSR responde pela grande maioria dos casos graves em bebês. O risco aumenta nos períodos de outono e inverno, quando as pessoas passam mais tempo em ambientes fechados e a circulação de vírus respiratórios se intensifica.

Os sintomas costumam começar de forma semelhante a um resfriado, com coriza, tosse e febre, mas podem evoluir rapidamente para chiado no peito e dificuldade para respirar. O diagnóstico, na maioria das vezes, é clínico, feito a partir da avaliação médica, embora exames laboratoriais possam confirmar a presença do vírus. Como não há tratamento específico, o cuidado se concentra em medidas de suporte, o que torna a prevenção ainda mais crucial.

É nesse ponto que a vacina ganha protagonismo. Ao ser aplicada na gestante, a vacina estimula a produção de anticorpos que são transferidos ao bebê pela placenta e também pelo leite materno. Assim, o recém-nascido já chega ao mundo com proteção pronta, exatamente no período em que o sistema imunológico ainda é imaturo e o risco de complicações é maior. Vacinar diretamente o bebê logo após o nascimento não teria o mesmo efeito, pois o organismo ainda não responderia de forma eficaz à imunização.

A recomendação é que a gestante receba a vacina a partir da 28ª semana de gestação, com pelo menos 14 dias de antecedência do parto. Esse intervalo garante níveis mais altos de anticorpos e maior proteção para o bebê nos primeiros meses de vida, quando as internações por bronquiolite são mais frequentes.

Embora o foco da vacinação seja a proteção dos recém-nascidos, o VSR também representa um risco significativo para idosos, especialmente aqueles com doenças crônicas ou com o sistema imunológico enfraquecido. Nessa faixa etária, o vírus pode agravar condições preexistentes e provocar quadros respiratórios graves, com impacto semelhante ao observado em bebês pequenos.

Além da vacinação, medidas simples continuam sendo fundamentais para reduzir a circulação do vírus, como lavar as mãos com frequência, evitar contato próximo com pessoas resfriadas, manter ambientes ventilados e usar máscara em situações de maior risco. Ainda assim, especialistas reforçam que a vacina para gestantes e os anticorpos monoclonais para bebês de alto risco representam um dos maiores avanços recentes no combate às doenças respiratórias infantis.

A chegada da vacina contra o VSR ao SUS tem potencial para reduzir drasticamente os casos graves, as internações e o impacto emocional e social causado pela bronquiolite. Trata-se de um marco para a pediatria, para a geriatria e para a saúde pública brasileira, oferecendo às famílias algo que sempre fez falta diante do vírus: proteção antes da doença chegar.

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