

Criado para ampliar e facilitar o acesso aos serviços de proteção, o aplicativo reúne, em um único ambiente digital, funcionalidades como o registro de Boletins de Ocorrência on-line e o chamado botão do pânico, que permite comunicação direta com a polícia em situações de risco. O recurso é disponibilizado especialmente para mulheres que possuem medida protetiva, encurtando o tempo entre a ameaça e a chegada da ajuda.
A iniciativa integra o movimento SP Por Todas, que busca dar visibilidade às políticas públicas voltadas às mulheres e fortalecer a rede estadual de proteção, acolhimento e autonomia. Mais do que uma ação isolada, trata-se de um esforço articulado que conecta tecnologia, segurança pública e atendimento humanizado.
Desde seu lançamento, em 2023, o aplicativo já foi utilizado por quase 40 mil mulheres, com mais de 5 mil acionamentos de emergência e cerca de 1,5 mil boletins de ocorrência registrados de forma on-line. Números que traduzem não apenas estatísticas, mas histórias de mulheres que encontraram no celular um meio seguro para pedir ajuda.
Entre os principais recursos está o botão do pânico, que envia um alerta imediato à polícia com a localização da vítima. Em casos de agressores monitorados por tornozeleira eletrônica, o sistema realiza o cruzamento de dados por georreferenciamento. Se for identificada aproximação indevida, o Centro de Operações da Polícia Militar, o Copom, é avisado e uma viatura é deslocada imediatamente ao local.
O aplicativo também se conecta a outros serviços estratégicos da segurança pública, como a Cabine Lilás, um atendimento exclusivo da Polícia Militar voltado a mulheres vítimas de violência doméstica ou familiar. O serviço funciona dentro do próprio Copom, onde policiais militares femininas acompanham os chamados feitos via 190, orientam as vítimas sobre seus direitos, indicam as redes de apoio disponíveis e explicam como registrar o boletim de ocorrência, oferecendo acolhimento já no primeiro contato.
Outra facilidade importante é o registro de boletins de ocorrência 24 horas por dia, de forma on-line, evitando que a vítima precise se deslocar até uma delegacia e reduzindo a subnotificação dos casos de violência, um dos principais entraves para a atuação efetiva do poder público.
Além da tecnologia, o Estado mantém uma ampla estrutura física de atendimento. Atualmente, São Paulo conta com 142 Delegacias de Defesa da Mulher espalhadas pelos municípios, sendo 18 com funcionamento 24 horas, sete na capital, uma na Grande São Paulo e dez no interior. São espaços exclusivos para o atendimento de vítimas de violência de gênero.
O Estado também ampliou significativamente sua rede com a criação de 170 salas de Delegacia de Defesa da Mulher instaladas em delegacias com plantão policial, representando uma expansão de 174 por cento em relação à gestão anterior. Para quem prefere o atendimento digital, há ainda a Delegacia de Defesa da Mulher Online, que funciona ininterruptamente, 24 horas por dia.
O aplicativo disponibiliza também links úteis para serviços de acolhimento e orientação, como a Defensoria Pública, o Ministério Público e a Secretaria de Políticas para a Mulher do Estado de São Paulo, por meio do protocolo “Não se Cale” e do Portal da Mulher Paulista.
Para a secretária estadual de Políticas para as Mulheres, Adriana Liporoni, o aplicativo representa um avanço concreto no enfrentamento à violência. Segundo ela, a criação da ferramenta permitiu ampliar o acesso das mulheres às informações sobre os serviços prestados pelos órgãos públicos e fortalecer a resposta rápida em situações de risco, especialmente nos casos em que há medida protetiva em vigor.
O movimento SP Por Todas reforça essa proposta ao reunir ações voltadas à proteção, acolhimento e também à autonomia profissional e financeira das mulheres paulistas. Em um cenário ainda desafiador, a iniciativa mostra que, quando bem integrada, a tecnologia pode ir além da inovação: pode ser rede de apoio, voz ativa e, muitas vezes, o primeiro passo para romper o silêncio.

