Vereadora Bia Junqueira diz que prefeito vive na “ilha da fantasia”

Geral
Guaíra, 7 de fevereiro de 2016 - 10h23

Em pronunciamento na sessão ordinária da Câmara, a parlamentar diz que problemas do município continuam os mesmos e que sente que prefeito vive em uma cidade totalmente diferente da população guairense

A vereadora Dra. Ana Beatriz Coscrato Junqueira (PSDB), fez uso da Tribuna “Vicente Lacativa” na última sessão da Câmara Municipal para seu pronunciamento de abertura do ano legislativo de 2016, iniciado no dia 2 de fevereiro. A parlamentar disse que sente-se frustrada, porque entende que “entra ano e sai ano e os problemas da cidade continuam os mesmos, sem uma solução e expectativa de melhora”.

Para ela, os parlamentares e a população vivem em uma cidade totalmente diferente do prefeito, que parece morar em uma “ilha da fantasia”.

“Gastam dinheiro com publicidade para enganar o povo. O que temos são ruas esburacadas, saúde vivendo um caos com a epidemia de dengue, falta de medicamentos, servidores públicos desvalorizados, insegurança nas ruas da cidade, nossas entidades com ameaças de fechamentos e quem paga o preço por este desgoverno é a população”, comentou.

O plano de governo da coligação que venceu as eleições municipais de 2012 também foi relembrado pela parlamentar. Ana Beatriz questionou “onde estavam as 1000 casas, a estação ecológica do Guaritá, o quarteirão da saúde, quarteirão da justiça, escola técnica federal e centro municipal de eventos, que juntas formam as propostas das sete maravilhas.”

Além do Chefe do Executivo não cumprir o que prometeu à população, a vereadora ainda disse que o prefeito não está cuidando do que está pronto. “Além de não cumprir as promessas, ele está parecendo um rolo compressor destruindo tudo que existia de bom na cidade. Até quando vamos viver nesta ilha da fantasia criada pelo prefeito e seguidores? Até quando você cidadão de bem vai aceitar ser enganado? Até quando os políticos de bem, que fazem parte do grupo político do prefeito, vão aceitar que continuem enganando o povo? Quero deixar um alerta, omissão também é crime”, frisou.

 

Falta de medicamentos

Bia Junqueira também demonstrou preocupação com a área de Saúde. “Nunca antes na história desta cidade faltou tanto medicamento. A atual administração justifica que faltou porque utilizou o dinheiro para comprar medicamento fornecido pelo Estado, o Dose Certa, o que não é verdade, porque a maioria dos medicamentos que faltam são de responsabilidade do município. Os medicamentos do Dose Certa que estão sendo entregues não poderiam ser adquiridos pelo município porque são fabricados pela FURP (Fundação Remédio Popular), como por exemplo o paracetamol. Ainda que exista atraso no medicamento, quero ressaltar que isto sempre ocorreu em qualquer gestão, o que nunca houve foi o descaso com a população”, destacou.

A parlamentar chegou a questionar a substituição dos remédios para pacientes que fazem tratamento de doenças complexas. “Eu gostaria de saber como a prefeitura está fazendo a substituição de medicamentos para pressão alta, problemas cardíacos, diabetes, mal de Parkinson, anemia, entre outras doenças complexas. Pelo que tenho conhecimento, estes medicamentos não podem ser substituídos facilmente. É inadmissível que a prefeitura não tenha um controle de estoque de medicamentos, uma vez que deixam faltar para depois solicitar reposição, enganando o cidadão, que vai diariamente no PSF em busca deste medicamento e não recebe uma previsão de chegada do mesmo”, expôs.

 

Visitas

Como a Câmara Municipal estava em recesso parlamentar no mês de janeiro, a Dra. Bia Junqueira aproveitou para fazer algumas visitas a prédios públicos e verificou a situação da dengue nos diversos bairros da cidade. “No meu entender, a população deve fazer sua parte, mas faltou da prefeitura cumprir com sua obrigação que era a manutenção da cidade, orientação dos cidadãos, ou seja, socorrer a tempo nosso município antes desta epidemia de dengue”, articulou.

Ao lado do vereador José Natal Pereira, a parlamentar também esteve no almoxarifado municipal, onde encontrou parte da frota toda danificada. Eram mais de 20 veículos com problemas mecânicos, encostados na garagem. No levantamento estavam ônibus, caminhonete, trator, caminhões e até veículos utilizados no combate ao mosquito da dengue. Para Ana Beatriz, o que ela presenciou no almoxarifado foi um total “desrespeito com o patrimônio”. Posteriormente, Bia visitou o prédio da Incubadora de Empresas de Guaíra, onde deveria ser instalada a faculdade presencial. O local está sendo aos poucos depredado e sem a devida fiscalização e manutenção do poder público, sofre com a ação de vândalos.

Com estas duas visitas, a vereadora formulou duas representações no Ministério Público: uma contra a depredação e a falta de manutenção do patrimônio público – prédio da faculdade e veículos no almoxarifado – e outra sobre a dengue, para que a Promotoria de Justiça apure as responsabilidades dos gestores públicos quanto a epidemia da doença. “Estas informações fazem parte de uma segunda ação que eu e o Natal protocolamos no Ministério Público. Nós queremos que o promotor apure as responsabilidades de quem quer que seja em relação aos casos de dengue em nossa cidade, para que isto não volte a acontecer”, complementou.

 

Tarifa de água

Outra questão comentada por Ana Beatriz Coscrato Junqueira durante seu pronunciamento foi em relação ao reajuste da tarifa de água e esgoto no final de 2015, que ultrapassou os 22%, acima da inflação no período. “Que presente de grego a população recebeu neste final de ano? Um reajuste da tarifa de esgoto que ultrapassou a inflação do período. Temos que lembrar que em 2014 ele também fez outro reajuste, alegando que valorizaria os servidores, faria investimentos. Mas, eu pergunto, será que os funcionários foram valorizados e quais investimentos foram feitos? A população paga um alto preço e o DEAGUA ainda tem mais de 4 milhões de reais em caixa”, explicou.

O reajuste da tarifa já foi motivo de uma representação no Ministério Público. Como a vereadora está recebendo muitas reclamações de munícipes que tiveram grandes alterações nos valores de água e esgoto, ela solicitou cópias das contas para que a documentação seja também encaminhada ao Promotor para análise.



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