Viúva registra indignação sobre o sepultamento de esposo e confirma que ele não estava com Covid-19

Segundo Tania, Fumim testou negativo para o novo coronavírus, porém, como seu atestado de óbito constou suspeita da doença, ele foi enterrado em um saco preto e a família não pôde velar seu corpo18

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Guaíra, 18 de setembro de 2020 - 13h14

Um homem simpático, humilde, de bom coração e com centenas de amigos pela cidade. Assim era conhecido Paulo Cesar de Castro, o famoso “Fumim”, motorista que, desde 1990, lutava contra um câncer na cabeça.

Na segunda-feira, 14, após enfrentar as consequências da doença – que há pouco mais de um ano o deixou sem andar e comer sozinho – ele descansou, mas não como a família esperava que fosse. A esposa Tânia não se conformou de ter que enterrar o esposo em um saco preto, sem roupas e sem um velório digno. Segundo ela, tudo porque a Santa Casa de Guaíra registrou no atestado de óbito de que a morte ocorreu por “suspeita de covid-19”.

“Vinhamos ‘pelejando’, fazendo de tudo, nossa família, amigos, fazendo rifas, vivendo de apoio, um ano muito difícil. De repente, ele passou mal na minha casa e foi levado para o Pronto Socorro Municipal, onde foi internado num gripário, ala de coronavírus. Fez o exame e deu negativo! Bati ‘o pé’ o tempo todo que era o final da doença e eles dizendo que era Covid-19. O atestado de óbito saiu como suspeita de Covid e não teve velório, não teve as honras de um homem trabalhador e honesto. Foi enterrado sem roupas, num saco preto e a três metros de distância da nossa família”, lamentou a viúva.

Tânia não sabe de quem é a responsabilidade de tal ato e também não quer ofender ninguém, mas ela quer justiça. “Quero achar esse protocolo que eles disseram que estavam seguindo. Não sei se é prefeito, governo, quem que é, mas sei que vou até o fim, vou entrar com processo sim, porque o tempo todo eu disse que era o câncer e fui coagida dentro da Santa Casa, do PS. É revoltante.”

Ela procurou a imprensa de Guaíra para informar à comunidade guairenses de que “Fumim não morreu de covid-19, ele morreu de câncer na cabeça que vem lutando desde 1990”.

A esposa diz que foi um desrespeito muito grande com a população. “Até na hora da morte em Guaíra a gente tem que ficar brigando. Fomos tratados com tanto carinho e respeito no Hospital de Amor de Barretos e chega aqui é essa patifaria, essa luta para enterrar uma pessoa. Quantas pessoas morreram de Covid-19, que sararam e tiveram velório. Um ano e meio de muito sacrifício, briga com o INSS para afastar, agora briga até para enterrar? Isso não pode acontecer. E isso não ocorreu só com a gente, mas também com muitas outras pessoas que acabaram não se manifestando”, contou.

Ao final, Tânia fez questão de enaltecer a pessoa de Paulo Cesar de Castro. “Foi uma pessoa batalhadora e a morte dele não foi covid-19, foi câncer na cabeça,  tenho toda a documentação, tenho o exame que não foi covid, quero saber quem vai me responder. Fumim era uma pessoa feliz, admirado pela comunidade guairense por seu coração bondoso, pessoa humilde, que contribuiu com a cidade, com gincanas, era atleta, ciclista, amava a família, netos, o caminhão dele… Era apaixonado pelo pátio da Aguetoni e os amigos. Deixou milhares de amigos, uma pessoa do bem e amorosa.”


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