Altos preços do arroz e óleo de soja assustam os consumidores finais

De acordo com especialistas, supermercados não têm culpa. Demanda chinesa, dólar e aumento do consumo em casa têm feito alimentos superarem as máximas históricas no mercado

Cidade
Guaíra, 3 de setembro de 2020 - 15h49

Os consumidores estão se assustando com os preços dos alimentos da cesta básica ao fazer a compra do mês. Ao contrário do que se possa pensar, a pandemia não é a responsável pela alta dos produtos e os mercados não têm realizado superfaturamento para lucrar em meio à crise. Segundo especialistas, os maiores motivos dos preços nas alturas são a cotação do dólar e o aumento da exportação.

Os preços das principais commodities agrícolas do Brasil, como soja, milho, arroz, café, leite e boi, estão atingido patamares recordes, com o câmbio e a forte demanda puxando esta alta. As máximas históricas nominais não consideram a inflação, mas alguns produtos efetivamente estão nos maiores níveis de preços, já levando em conta valores deflacionados, como é o caso do boi, bezerro, suíno, arroz e leite, conforme levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

A soja, principal produto do agronegócio brasileiro, está perto de atingir um recorde de todos os tempos, segundo dados do Cepea, com o produto batendo R$ 137,76 por saca nesta semana.

Especialistas relatam também que o apetite chinês, que fez o país exportar volumes recordes nos primeiros sete meses do ano, mostra também como a alta dos preços está relacionada à demanda, com um câmbio na maior parte do ano acima de R$ 5 por dólar ajudando a impulsionar embarques brasileiros por tornar os produtos nacionais ainda mais competitivos.”A taxa de cambio levou a um deslocamento de preços, isso vai acontecer para todos os produtos, e isso fez com que o produto tivesse um preço mais baixo (para quem compra do Brasil) e favoreceu a exportação, enquanto encarece a importação (pelo Brasil)”, disse o professor da Esalq/USP e especialista do Cepea Lucílio Alves.

Além do “choque de demanda” externa, Alves citou que a indústria de soja também registra, não só no Brasil, boas margens de esmagamento, com as receitas de farelo e óleo aumentando, diante da fome da indústria de carnes e de biodiesel.

No caso do café, a alta de preços do arábica chega a mais de 45% em 12 meses, apesar de o Brasil estar encerrando o que o mercado considera ser uma safra recorde. No milho, outro produto que o Brasil está colhendo uma safra recorde, a cotação subiu mais de 65% em 12 meses, para um novo recorde nominal acima de R$ 60 por saca, segundo dados do Cepea. E o dólar, além da demanda interna e exportadora, também ajuda na competitividade brasileira.

O arroz cotado pelo Cepea subiu mais de 100% em 12 meses, enquanto o trigo também registrou recorde mais cedo neste ano, embora agora este mercado tenha visto um arrefecimento, com a proximidade da colheita do Brasil. “A partir do momento que as família ficam mais em casa, passam a demandar produtos de mais fácil preparo, caso do arroz”, notou Alves, lembrando que os estoques desse produto básico vinham baixos.

O açúcar cristal subiu quase 40% considerando o valor de um ano atrás, apesar da expectativa de produção recorde no Brasil. Especialistas ainda contam que o boi gordo, com uma redução na oferta de gado devido ao ciclo pecuário, queda na produção de carne, firme demanda externa e câmbio favorável a exportações, a tendência é que as cotações do animal sigam em nível recorde, exigindo maior desembolso dos frigoríficos.

Fonte: Reuters/G1


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