
Seu percurso acadêmico é motivo de admiração. Cursou e educação básica na escola Irum Curumim e, ao concluir a 3ª série, ingressou no curso de Engenharia de Materiais da Universidade de São Paulo (USP), onde construiu uma sólida formação científica. Fez mestrado e doutorado, consolidando-se como um pesquisador consistente, dedicado e comprometido com o conhecimento como uma ferramenta de transformação.
A trajetória de Marcos Vinícius não é apenas individual, é coletiva, e construída a partir das salas de aula que o formaram e das escolhas que ele fez ao longo do tempo. Foi com essa mesma consciência que Marcos levou o trabalho de estudantes da Escola Estadual Sebastião Oliveira da Rocha, de São Carlos (SP), para além das fronteiras do país — ampliando horizontes e dando visibilidade internacional ao que nasce, muitas vezes, de forma silenciosa dentro da escola pública.
O resultado desse percurso foi extraordinário: a conquista da Medalha de Ouro no International Creativity and Innovation Award – Global Round, realizado em Camboja. Em um dos principais eventos globais de inovação estudantil, o projeto brasileiro destacou-se entre iniciativas do mundo inteiro.
O trabalho premiado, Clube de Ciências TESLA – Reaproveitamento de matéria orgânica para produção de biogás e biofertilizante, sintetiza algo fundamental na educação contemporânea: ciência aplicada à realidade social. Coordenado pela professora Bárbara Daniela Guedes Rodrigues, o trabalho reuniu alunos do ensino fundamental e médio na construção de biodigestores de baixo custo, capazes de transformar resíduos orgânicos em energia limpa e fertilizantes.
Mais do que um experimento escolar, trata-se de uma tecnologia com impacto direto na vida das pessoas. O Assentamento Nova São Carlos, por exemplo, já foi beneficiado, e a proposta segue em expansão, promovendo saneamento, redução de poluentes e geração de energia sustentável em outras comunidades.
Nada disso acontece por acaso. Exige escola comprometida, professores dedicados, estudantes curiosos — e, sobretudo, pessoas sérias que acreditam que a educação pública pode alcançar o mundo, como é Marcos Vinícius Nicolino que, reconheceu talentos, criou oportunidades e abriu portas onde antes ainda havia limites.
Com o apoio da Finep, que patrocinou a participação brasileira no evento internacional, e a partir do convite de uma pesquisadora da Royal Academy of Engineering (Reino Unido), o projeto percorreu um caminho que liga São Carlos ao Camboja — e, simbolicamente, também liga Guaíra ao mundo.
Celebrar Marcos Vinícius Nicolino é, portanto, celebrar uma trajetória que honra suas origens. É reconhecer que aquele estudante sorridente e estudioso, nascido e criado em Guaíra, hoje devolve à sociedade, “tudo aquilo que um dia recebi”, como ele mesmo diz.
Por : Simone Cristina Succi

