COMO?

Editorial
Guaíra, 5 de junho de 2026 - 10h59

Toda ação humana busca um objetivo. Um médico busca a cura. Um arquiteto busca construir uma casa. Um empresário busca fazer seu negócio crescer. Um governante deveria buscar o bem de sua cidade, de seu estado ou de seu país.

Mas existe uma diferença fundamental entre desejar um resultado e conseguir alcançá-lo. Em qualquer área da vida, costumamos desconfiar de quem promete resultados sem explicar os meios. Exigimos conhecimento do médico, cálculos do engenheiro e planejamento do empresário.

Curiosamente, essa lógica parece desaparecer justamente quando escolhemos aqueles que terão a responsabilidade de administrar cidades, estados e o próprio país. Afinal, a verdadeira competência não está em apontar o destino. Está em conhecer o caminho.

É justamente nesse ponto que a política brasileira parece desafiar a lógica.

A cada eleição, candidatos prometem melhorar a saúde, fortalecer a educação, gerar empregos, reduzir a violência e acelerar o desenvolvimento. Mudam os nomes, os partidos e os slogans. As promessas continuam praticamente as mesmas.

O curioso é que quase todos parecem saber exatamente o que precisa ser feito. O que raramente explicam é como pretendem fazer.

Como surgirão os recursos?

Como serão definidas as prioridades?

Como os resultados serão medidos?

Como os obstáculos serão superados?

São perguntas simples. E talvez seja justamente esse o problema.

Responder exige planejamento. Exige números. Exige metas. Exige responsabilidade.

Por isso, muitas vezes, é mais fácil transformar a eleição em um ringue. Enquanto adversários trocam acusações, ressuscitam velhos escândalos e disputam a atenção das torcidas, a pergunta mais importante desaparece do debate.

O espetáculo cresce. O planejamento encolhe.

Talvez exista uma razão para isso. Slogans são mais fáceis de vender porque também são mais fáceis de comprar. Frases de efeito rendem aplausos. Explicações geram cobranças. Promessas emocionam. Planos podem ser confrontados com a realidade.

Assim, seguimos assistindo a campanhas repletas de destinos maravilhosos e vazias de mapas. Todos falam sobre a chegada. Quase ninguém se preocupa em mostrar o caminho.

Os candidatos se acostumam a prometer sem detalhar. Os eleitores se acostumam a ouvir sem perguntar. E a política passa a girar em torno de intenções, não de estratégias. O resultado é um país que debate personalidades, partidos e escândalos com enorme paixão, mas discute métodos com surpreendente indiferença.

O Brasil não sofre por falta de promessas. Sofre por falta de explicações. E enquanto candidatos forem mais cobrados pelo adversário que enfrentam do que pelas soluções que apresentam, continuaremos confundindo intenção com capacidade, discurso com planejamento e desejo com realidade.

Talvez seja por isso que tantas promessas sobrevivam às campanhas e tão poucas sobrevivam ao exercício do poder.

Porque entre a promessa e a realidade existe uma pergunta que continua sem resposta.

Como?


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