Já deu!

Editorial
Guaíra, 28 de setembro de 2017 - 09h27

Para aqueles que defendem a estabilidade, essa terça-feira (26) foi um dia duro. O afastamento de Aécio Neves foi um golpe difícil de absorver. Mesmo aliviado da prisão por hora, seus eleitores estão longe de serem membros de seitas políticas; sua carreira política foi para o espaço.

Aécio era o elo que mantinha o PSDB agarrado ao governo. A perda dessa liderança no Senado dá forças para as dezenas de deputados e senadores tucanos que pedem a saída do partido do bloco governista. E o governo sabe que um desembarque dos tucanos nessa altura do campeonato seria a tampa do caixão de Temer.

Teríamos um governo respirando por aparelhos nesse último ano. Tal qual um time perdendo por 7×1, desesperado para que os últimos dez minutos terminem logo e todos possam ir pra casa se lamentar pela mancha na história.

Outro que não teve uma terça-feira nada boa foi Lula. A carta de Palocci pedindo sua desfiliação do PT foi dura, fria e certamente entrará para a história.

Palocci acusa Lula de “sucumbir no que há de pior na política”. Diz com todas as letras que presenciou e negociou os grandes acordos de corrupção que envolve o ex-presidente e que agora tentam imputar a dona Marisa. Em particular cita a reunião onde Lula pede, sem qualquer pudor ou meia-palavra, propina pra Dilma e Gabrielle pelas sondas do pré-sal. Afirma, por fim, que o PT deixou de ser um partido político para se tornar uma “seita que segue uma pretensa divindade”.

Como se não bastasse a carta de Palocci, Lula ainda tomou outro golpe devastador: o aumento da pena de José Dirceu na segunda instância, que passou a somar 30 anos de cadeia, 10 a mais que definido por Sérgio Moro.

Não que o aumento de pena possa transformar Dirceu em um novo Palocci. O que deixou Lula assustado foi a justificativa dada pelo relator em seu voto: “Embora nesses casos dificilmente haja provas de vantagens indevidas, adoto o exame das provas acima da dúvida razoável.”

Esse foi o mesmo argumento utilizado por Moro em todas as ações contra Lula, e um fortíssimo indicativo de que, se a segunda instância for fazer alguma modificação nas penas impostas a Lula na primeira instância, será apenas para aumentá-las.

Lógico, em termos de justiça e demonstração que não há homem ou divindade acima da lei, seria ótimo. Mas melhor ainda seria Lula receber o recado nas urnas de que nada justifica a corrupção. Que o país cansou do bordão “Rouba, mas faz” criado por Maluf e usado a exaustão pelos petistas.

O impedimento de Lula de participar do pleito de 2018 daria apenas motivos para os membros da “seita” de continuarem a propagar esse bordão.

 


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