Estiagem provoca falta de água e baixa pressão em diversos bairros da cidade

O diretor do DEAGUA, Lucas Froner, concedeu entrevista e explicou sobre a situação enfrentada por centenas de guairenses nesses últimos dias

Cidade
Guaíra, 11 de agosto de 2020 - 07h45

As reclamações pela falta de água, ou a baixa pressão dela, têm crescido pelas redes sociais. No geral, os munícipes questionam a falta de divulgação dos horários em que haverá baixa no sistema hídrico em algumas regiões da cidade.

Para explicar a situação para a comunidade, o jornal O Guaíra enviou alguns questionamentos para o diretor do Departamento de Esgoto e Água de Guaíra, Lucas Froner, que esclareceu exatamente a situação do município. Segundo ele, o período de estiagem tem prejudicado a captação de água do Ribeirão do Jardim, sendo necessário fazer uso mais intensivo dos poços profundos, tentando equilibrar o sistema.

Lucas ainda ressalta o que seria necessário para resolver a situação e como a população pode colaborar neste momento de falta de chuvas. Confira.

Por que está faltando água em diversos pontos de Guaíra?

A falta ocorre devido ao período da estiagem, quando não há chuvas. Estamos praticamente desde abril sem chuvas, com algumas pontuais, mas nada significativo. Dessa forma, o Ribeirão do Jardim tem menos água disponível para captação e tratamento, sendo necessário fazer um uso mais intensivo dos poços profundos. Porém, eles têm em sua licença de funcionamento um horário estabelecido para sua operação, e assim promover a recarga do manancial. O que está sendo feito ao longo desses dias mais acentuados da estiagem é um alternância desses horários de modo que tenha água no sistema o tempo todo e não tenha que promover uma paralisação por tempo maior. Quando no início dessa estiagem os horários estavam mais ampliados e eles vêm sendo reduzidos hora a hora para que possamos chegar a um equilíbrio dentro do sistema.

Quais pontos mais afetados na cidade?

No geral, os pontos mais afetados são os bairros localizados na parte alta, como por exemplo: Tonico Garcia, Aniceto, Ernesto Pacheco, Santo Antônio, Campos Elíseos, Novo Horizonte, entre outros. Os bairros mais periféricos, que estão mais distantes dos poços e da Estação de Tratamento de Água (ETA) sofrem uma alternância na pressão da água. Importante salientar que pode ocorrer uma eventual falta de água, mas não podemos confundir a falta da pressão com a falta da água em si. Essa alternância que se dá leva em consideração a dinâmica de consumo da população. Às vezes, alguns bairros estão consumindo mais, outros menos e isso pode interferir dentro do sistema que é interligado. Não existe um controle absoluto dentro dessa dinâmica. Você disponibiliza toda a água e de acordo com a dinâmica de consumo e ela vai encontrando seus caminhos no sistema de distribuição.

Quais os horários em que a população fica sem água?

Considerando esse rodízio de funcionamento, principalmente entre os poços, os horários que temos para recarga, que seria os horários mais complexos, seria no Tonico Garcia no período das 10h às 14h. Porém quando esse poço está parado, o poço da Avenida 5 e os reservatórios da região já estão abastecidos e eles tendem a fazer uma compensação desse volume da água. Cabe ressaltar que a ETA tem operado normalmente 24h por dia, tratando a água de acordo com a disponibilidade do Ribeirão do Jardim. Mas, a título de comparação: a ETA trata e envia para a cidade de 350/400 mil litros de água por hora e os dois poços juntos praticamente fazem os outros 50%, sendo do Tonico Garcia no máximo de 250 mil litros e da Avenida 5, máximo de 150 mil litros. Então, é basicamente dizer que há oscilação entre os poços, mas existe os reservatórios que servem para fazer, digamos assim, essa compensação no ponto mais crítico da alteração entre os dois.

Como a população deve agir neste período de estiagem?

Conforme tem sido orientado, temos que entender que a estiagem tem como característica esse tempo muito seco e, devido à atividade agrícola na região, temos a questão da terra, da “poeira”. Então, realmente cria certo transtorno na questão da limpeza das residências e prédios comerciais. Mas temos que procurar soluções alternativas na parte da limpeza, reduzir as atividades. Em situações normais temos conhecimento que existem pessoas que chegam a fazer de três a quatro limpezas por semana. O ideal é que se reduzam a uma, duas limpezas dentro da possibilidade de cada um… Para não citar outros exemplos, como lavação de carro, etc. Deve-se buscar alternativas para evitar esse consumo exagerado de água. Se consumirmos menos, a tendência é que tenhamos mais disponibilidade. Assim, superada uma eventual falta de água, ficamos somente por conta mesmo da pressão e distribuição para o sistema.

Por que o reservatório do Tonico Garcia (verba conquistada de R$ 700 mil, mais contrapartida do DEAGUA de R$ 300 mil) ainda não foi construído?

O reservatório é um convenio do município com o governo do estado. Ele já teve uma sessão do processo licitatório, mas, infelizmente, as empresas que vieram participar não estavam habilitadas, por questões de documentação, e não puderam ter o processo homologado. A última informação que eu tive foi que o processo seria realizado novamente, parece que essa semana, então, logo com a homologação da licitação, teremos autorização para início de obra.

Está sendo gasto mais água do que no ano passado?

De um modo geral, Guaíra consome mais agua que a média nacional. Para se ter uma noção, temos estatísticas de que a média gira em torno de 160 a 190 litros de água por habitante por dia. Em Guaíra, essa média é de 250 litros de água por habitante por dia. Temos um consumo elevado que já é da população. Em relação ao ano passado, estamos tendo um consumo elevado em relação ao período de estiagem. Acredito que não estamos vivendo a situação hídrica de 2014, porém, um dos efeitos de longo prazo da crise hídrica de 2014 realmente é a redução da disponibilidade de água, dos recursos hídricos. O que tem que ser feito é a construção de reservatórios e a setorização que quando é necessário, reduz esses transtornos, o sistema setorizado consegue distribuir melhor a água entre os reservatórios e entre os pontos altos e baixos da cidade de uma maneira mais uniforme.


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