Estudo aponta que brasileiros com problemas urinários não se tratam corretamente

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Guaíra, 8 de setembro de 2017 - 10h11

Cerca de 50% dos homens e 70% das mulheres relatam pelo menos um sintoma urinário

Pela primeira vez, um estudo populacional epidemiológico sobre a prevalência dos sintomas urinários é realizado no Brasil. A pesquisa, conduzida pela Astellas Farma Brasil, com o apoio de cinco investigadores externos, contou com a participação de mais de 5 mil pessoas, entre homens e mulheres com 40 anos no mínimo, representantes de todas as regiões do país.

Em geral, os resultados do estudo revelam, entre outras coisas, que a taxa de busca de tratamento entre indivíduos com sintomas urinários é baixa no Brasil: 60% das mulheres e quase 70% dos homens não procuram tratamento, apesar de reconhecerem os sintomas. Além disso, cerca de 50% dos homens e 70% das mulheres relatam pelo menos um sintoma urinário. Entre os sintomas, alguns exemplos são a urgência para urinar, o jato fraco, a necessidade de fazer força para urinar e a perda de urina. “Apesar de não termos levantado isso no estudo, a vivência clínica nos indica que a população em geral acaba acreditando que esse tipo de problema é natural do envelhecimento e descarta a possibilidade de tratamento, o que poderia ajudar a melhorar sua qualidade de vida”, afirma o médico do Hospital das Clínicas, Cristiano Gomes, um dos investigadores que participaram da pesquisa.

O estudo, no entanto, mostra que aproximadamente 50% das pessoas relatam que seus sintomas urinários geram incômodo significativo. A qualidade de vida, nesse caso, é afetada por distintos fatores, como físicos (limitações ou interrupções de atividades físicas), psicológicos (baixa autoestima, depressão, medo do odor da urina), sociais (redução da interação social, necessidade de planejar viagens e limitação no deslocamento distante de banheiros), domésticos (roupas íntimas especializadas, precauções com roupas), sexuais (fuga do contato sexual e intimidade) e ocupacionais (absenteísmo e redução de produtividade).

Entre os principais problemas relatados na pesquisa, estão a bexiga hiperativa, a incontinência urinária e os sintomas urinários associados à hiperplasia benigna da próstata.

A bexiga hiperativa resulta da contração involuntária do músculo da bexiga, durante a fase do seu enchimento com urina. Entre os seus principais sintomas, destacam-se a necessidade súbita de ir ao banheiro, o aumento da frequência de micção e a perda de urina (incontinência urinária). Ela atinge cerca de 25% dos homens e das mulheres, conforme dados da pesquisa. Já incontinência urinária, caracterizada pela perda de urina involuntariamente, pode ser um sintoma de bexiga hiperativa ou ocorrer com o esforço (tossir, espirrar, exercícios físicos). Os índices de incontinência urinária chegam a 15% e 45%, respectivamente.

A hiperplasia benigna da próstata (HBP), é uma condição masculina caracterizada pelo aumento do tamanho da próstata com características benignas, portanto, sem qualquer relação com o câncer no órgão. O aumento da próstata, que envolve a porção inicial da uretra, faz com que ocorra uma compressão desse canal, o que pode atrapalhar a saída da urina. Em alguns casos, pode causar obstrução do esvaziamento da bexiga, levanto à retenção de urina, infecções do trato urinário e em alguns casos podendo levar à piora da função renal. Os sintomas podem incluir diminuição da força do jato urinário e a necessidade de fazer força para urinar, urinar frequentemente, entre outros. A pesquisa demonstrou que mais de 20% dos homens possuem sintomas moderados a graves de HPB.

A pesquisa completa foi apresentada no Congresso Brasileiro de Urologia, realizado nesta semana no Ceará.


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