

Considerado uma das cem piores espécies exóticas invasoras do mundo, o javali apresenta grande capacidade de adaptação e reprodução. Segundo o Ibama, há registros de sua presença em 15 unidades da Federação, entre elas São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. O órgão destaca que a expansão da espécie provoca impactos ambientais e socioeconômicos, atingindo especialmente pequenos agricultores.
A dimensão exata do prejuízo provocado pelos javalis em 2025 ainda não está consolidada em uma estimativa nacional em reais, mas estudo econômico publicado em 2025 dimensiona a relevância das perdas evitáveis em três importantes culturas — milho, soja e cana-de-açúcar. No cenário intermediário analisado, o controle populacional dos javalis poderia resultar, até 2030, em PIB 0,15% superior ao cenário-base, com benefício estimado de aproximadamente R$ 1.016 no PIB para cada animal manejado. Além do consumo e destruição das lavouras, o produtor enfrenta prejuízos com pisoteio, danos ao solo, cercas e estruturas e despesas adicionais para proteção e controle. Em áreas severamente atingidas, há relatos em 2026 de perdas de até 40% na cultura do milho, percentual localizado que não deve ser extrapolado para toda a produção nacional.
A preocupação também é sanitária. Javalis e javaporcos podem favorecer a circulação de agentes infecciosos entre populações selvagens e rebanhos comerciais. Entre as ameaças de maior impacto está a Peste Suína Africana (PSA), enfermidade altamente contagiosa que afeta suínos domésticos e selvagens e apresenta elevada mortalidade. O Brasil permanece livre da doença, mas o Ministério da Agricultura alerta que uma eventual introdução da PSA teria consequências devastadoras para a suinocultura, com impactos sobre produção, exportações, emprego e renda, além de gerar elevados gastos públicos e privados para contenção e erradicação.
A programação do Fórum reunirá representantes da Faesp/Senar, Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Embrapa, Ibama e especialistas. Pela manhã, os painéis abordarão a evolução da legislação, o panorama da presença dos javalis e os riscos sanitários, com análises nacional e paulista. À tarde, serão apresentados casos e propostas de controle, seguidos de um trabalho de convergência para selecionar ações prioritárias segundo critérios de urgência, impacto, viabilidade e capacidade de articulação. O encontro termina com a construção de uma matriz de compromissos, com definição de ações, responsáveis e prazos.
SERVIÇO
Fórum Faesp/Senar – Javalis e javaporcos: impactos, estratégias e ações coordenadas
Data: 15 de setembro de 2026
Horário: a partir das 8h30
Formato: híbrido
Local: Sede da Faesp – Rua Barão de Itapetininga, 224, 4º andar, República – São Paulo/SP
Temas: sanidade, produção, meio ambiente, legislação, manejo e estratégias coordenadas de controle
Os interessados poderão acessar pelo link:
https://forms.cloud.microsoft/r/5NejXvFkSS

