Médico do Hospital de Câncer opina sobre uso da pílula do câncer

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Guaíra, 26 de abril de 2016 - 08h05

Profissionais do HC de Barretos são contra a prescrição da substância para pacientes em tratamento

A presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que libera o uso da fosfoetanolamina, conhecida como “pílula do câncer” para pacientes diagnosticados com tumores malignos, apesar da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) não ter aprovado o uso da medicação.
O oncologista clínico e gerente médico da unidade de pesquisa clínica do Hospital de Câncer de Barretos, Eduardo Zucca, explicou o que é a substância e porque a ANVISA não liberou a medicação.
“A fosfoetanolamina é uma substância sintética que é encontrada até em shampoo e que vem sendo testada desde a década de 70 por alguns pesquisadores. No Brasil, ela começou a ser estudada na década de 90 por pesquisadores da Universidade federal de São Carlos. A fosfoetanolamina seria um fosfolipídio que teoricamente desestabilizaria as células cancerígenas, matando-as”, disse.

“A fosfo não passou por todos os testes clínicos. Nós dividimos a pesquisa clínica em testes pré-clínicos e clínicos. Os pré-clínicos são feitos em tecidos humanos ou em mamíferos menores, como o rato, enquanto o teste clínico é feito em seres humanos. A fosfoetanolamina tem testes apenas pré-clínicos e mostrou alguma atividade em células do câncer, principalmente de melanoma, em células do câncer de mama, mas não teve teste em seres humanos e como nós médicos apenas prescrevemos medicações que são aprovadas pela Anvisa e, consequentemente, têm testes em seres humanos, a posição dos médicos ainda é aguardar os testes clínicos para prescrever ou não a medicação”, argumentou o médico.
Dr. Eduardo Zucca ressaltou que os pacientes em tratamento de câncer, fragilizados pela doença, estão suscetíveis a tudo o que é colocado como cura para a doença.
“Pacientes com câncer são pacientes fragilizados, principalmente aqueles com câncer metastático, aquele que não tem cura. E quando alguém fala que existe uma substância, independente de ser uma medicação ou uma substância que vem da natureza, mas que promove a cura, isso sempre mexe com a pessoa”, enfatizou.

“A fosfoetanolamina não é a primeira substância que dizem que cura o câncer. Temos outras medicações que em determinadas épocas se popularizaram nesse sentido, há cinco ou quatro anos atrás. O noni, que é uma fruta, se popularizou como uma cura para o câncer e agora é a vez da fosfoetanolamina, que é uma medicação. É difícil saber porque se popularizou, mas é fácil dizer que não podemos ser irresponsáveis de prejudicar nossos pacientes, prescrevendo substâncias que não são aprovadas e com testes clínicos insuficientes”, destacou o médico, que relatou o que os pacientes costumam questionar a respeito da pílula do câncer.
“Os meus pacientes não questionam a comercialização, mas perguntam bastante sobre a pílula, tem alguns que fazem uso. Sempre digo para não abandonar o tratamento convencional e se dedicar somente à pílula, essa a principal recomendação. A gente explica que não tem comprovação científica, todos entendem. Quando começam a perguntar e começam a entender como tudo aconteceu e entendem também porque nós não prescrevemos”, explicou Dr. Eduardo Zucca, que criticou a liberação do medicamento pela presidente Dilma, sem testes clínicos e sem a aprovação da ANVISA.

“A substância foi aprovada pelo Congresso e depois foi sancionada uma lei pela presidente Dilma para comercialização da fosfoetanolamina sem aprovação da Anvisa. Acredito que o momento político que estamos vivendo também é frágil. Não dá para saber porque a presidente liberou essa medicação, se teve alguma relação com essa fragilidade política que estamos vivendo, mas ela mesmo passou por cima de um órgão do governo que é a Anvisa. Existe uma incoerência muito grande nesta tomada de decisão. Independente dela ter sancionado essa lei, nossa posição como médicos ainda continua a de não prejudicar os pacientes, não vamos prescrever uma substância sem comprovação científica”, argumentou.

“Para muitos tipos de câncer a prevenção é o melhor remédio, como mamografias, papanicolau, o não-tabagismo. Está provado que substâncias utilizadas em conservas também aumenta o risco de câncer no colo uterino, assim como a obesidade é um fato de risco para vários tipos de câncer. A prevenção já é um excelente remédio. Acredito que estamos ainda no caminho de entender melhor cada tipo de câncer, dando nome a essa doença que é tão variada e que a gente chama de câncer”, finalizou o médico. (ODiárioOnline)


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