Monarquia

Opinião
Guaíra, 13 de maio de 2017 - 15h43

Em Turim na Itália nos últimos anos do século XIX haviam sérias dificuldades sociais. Nesta cidade italiana, jovens adolescentes perambulavam pelas ruas, criando sérios problemas à população. Mas havia um sacerdote diocesano que sua atuação junto aos jovens ficou mundialmente conhecida pelo seu trabalho na educação e reabilitação daqueles abandonados. Era o padre Dom Bosco.

No oratório São Francisco de Sales, Dom Bosco oferecia aos adolescentes moradia, diversão e profissionalização, realizando um trabalho inédito para época para com os meninos de rua educando-os e proporcionando a eles uma profissão. Inspirado em São Francisco de Sales, o Santo Dom Bosco fundou a ordem dos Salesianos cujo objetivo seria a educação e a profissionalização.

Este trabalho fantástico do Diocesano chegou logo ao Brasil Império, onde a regente princesa Isabel defrontava-se com o sérios problemas da abolição dos escravos que a preocupava profundamente, dos dias após a Lei Aurea e o futuro dos negros libertos. Pois, após a abolição, haveria a necessidade do amparo aos negros para que estes pudessem atingir o seu status social, juntamente com educação e aptidão profissional.

A regente princesa Isabel possuía uma visão humanitária muito clara, além de seu tempo, a respeito da situação dos negros após a Lei Aurea, com a educação e formação profissional. Até mesmo um projeto foi elaborado com André Rebouças para a devida indenização e reforma agrária aos ex-escravos.

Assim, conhecendo a fundo a obra que o diocesano Dom Bosco desenvolvia no norte da Itália, a princesa Isabel compreendeu que a profissionalização dos padres salesianos seria uma forma adequada para assegurar aos negros libertos do cativeiro uma inserção na sociedade brasileira.

A princesa, assim, tão logo escreveu ao padre na Itália solicitando ao sacerdote que enviasse ao Brasil missionários da ordem salesiana. Houveram várias trocas de cartas entre o santo italiano e a princesa brasileira.

Efetivamente em 1881 chegaram ao Brasil os primeiros missionários da ordem salesiana, instalando-se em Niterói, em um terreno conseguido pela princesa Isabel. Tinha assim, o início da grande obra educadora missionária dos padres salesianos no Brasil Império, cujo objetivo era o amparo educacional dos ex-escravos.

Porém, infelizmente, o golpe republicano de 1889 dado pelas oligarquias políticas econômicas e militares frustraram os planos ambiciosos do Império que havia concebido para o Brasil a inserção dos negros libertos na sociedade brasileira.

A Lei Aurea não teve seu desenvolvimento natural e completo, que seria oferecer além da liberdade, mas o respeito à dignidade humana na integração de todos os negros libertos, garantindo a todos eles o direito na ascensão social.

Os engavetamentos dos projetos idealizados pela monarquia constitucional de integração social acabaram por abandonar os ex-escravos à própria sorte, uma atitude republicana reacionária criando para o Brasil de hoje um dos mais graves problemas sociais, com índices de desenvolvimento humano (IDH) mais baixos do mundo.

Poderia ser melhor! Sendo que a primeira favela no Rio de Janeiro surge em 1893 já na república. Ora, todo projeto elaborado pela monarquia constitucional liderada pela princesa regente Isabel foi simplesmente abortado pela república. E hoje a nação assiste o velho filme de 128 anos de incompetência e omissão dos republicanos.

 


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Paulo Sérgio Lelis

Paulo Sérgio Lelis é Mestre em Direito Público

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